Criança de 3 meses morre por supostos maus-tratos em Teixeira de Freitas
Neusélia Ferreira Soares, residente no Colina Verde, compareceu à delegacia de Teixeira de Freitas/BA na manhã de domingo, 30 de junho, informando a morte de seu filho Enzo Ferreira Freitas, de apenas três meses de idade. Segundo ela, a criança faleceu por culpa de maus-tratos cometidos pela avó, Júlia Paulo Custódio, de 48 anos, com quem a criança teria passado algumas horas do sábado.
Conforme Neusélia, a avó ligou várias vezes pedindo para ficar com a criança, que não permitiu porque, na quarta-feira, ainda de acordo ao seu depoimento, havia deixado o menino com Júlia, pois estava preocupada com o fato de o leite do Enzo estar no fim e no momento não possuía condições financeiras para comprar. A avó a tranquilizou para que não se preocupasse, afirmando que “daria um jeito”. Prosseguiu contando que, ao ligar para a sogra a fim de informações sobre seu filho, confiante de que o menino estava tomando o leite, Júlia disse que Enzo estava sendo alimentado com mingau de araruta (tipo de farinha).
Logo após o telefonema, a mãe foi buscar a criança na casa da avó e o levou para casa. Segundo ela, na madrugada de domingo, o garotinho começou a passar mal, com febre; chorava muito. Após longo tempo chorando, a criança teria dormido. Pela manhã, a mãe relata que foi ao berço da criança pegá-la para leva-la ao médico, mas, Enzo já estaria morto.
Neusélia acusa a sogra de maus-tratos que acarretaram na morte de seu filho. No entanto, a avó nega que tenha dado araruta e água ao neném e conta que na quarta-feira o menino já havia passado mal em sua casa e o medicou com remédio comumente usado pela mãe da criança naquela situação. Ele teria acordado bem no meio da noite e tomado mamadeira (cujo conteúdo não foi citado).
“Ela que dá isso para a criança e ainda me acusa. Na minha casa tem leite e ela havia trago araruta. Eu jamais iria dar araruta com água a uma criança”, disse Júlia, que também afirma que a mãe da criança disse várias vezes que iria matar o filho, que sua vontade era jogar a criança no rio ou matá-lo afogado em um balde d’água.
A tia do menino, Rosilene Lapricho Cerva, 36 anos, contou que ele morreu por maus-tratos e falta de cuidados da mãe. “Uns oito dias atrás ela foi à roça da minha mãe e não levou a mamadeira da criança, indo para o bar beber e deixando ele quase o dia todo sem comer”, disse a tia. Rosilene confirmou a versão de Júlia, de que Neusélia gritou na rua que a vontade dela era de matar o menino dentro de um balde d’água ou jogar dentro do rio.
O caso está sendo investigado pela delegada de plantão, Rina Andrade. Segundo a médica responsável pelos exames de necropsia, Márcia Cunha, a criança apresentava sinais de inanição (estado em que a pessoa se encontra enfraquecida por falta de alimentos), mas que o laudo com a causa da morte deverá ficar pronto em aproximadamente trinta dias.
Por Pauta Diária