“Da Última Corrida ao Vazio Eterno: Sione e Marcos relembram a trajetória de Pedro Lauan e a luta para manter viva sua memória”

Teixeira de Freitas: Nesta sexta-feira, 09 de janeiro de 2026, completa-se um ano da trágica partida de Pedro Lauan Souza Oliveira, um jovem teixeirense de 23 anos cuja vida foi brutalmente interrompida enquanto trabalhava como motorista de aplicativo em Santa Cruz Cabrália. Para seus pais, Sione e Marcos, a dor da perda permanece tão viva quanto a memória do filho amado, e o anseio por justiça é uma chama que se recusa a apagar.
Pedro Lauan, um rapaz descrito por todos como “muito bom, obediente” e “que todo mundo gostava”, havia se mudado para Coroa Vermelha, em Porto Seguro, após se casar. Lá, encontrou no trabalho como motorista de aplicativo uma forma de sustento, um caminho que, infelizmente, o levou a um destino cruel.
A Dor que Não Cicatriza
“Um ano faz hoje Pedro Lauan que tiraram você de nós da nossa família, todos os dias e por que não dizer todos os instantes lembramos de você, tudo lembra você, ainda está difícil acreditar que você se foi e continua um vazio muito profundo, uma ferida que está muito difícil de cicatrizar. Suas frases de bom filho não vão sumir da nossa mente. Que vem o Reino (Governo) de Deus.” – As palavras de Sione, a mãe de Pedro, traduzem a angústia de uma família que teve seu alicerce abalado. A ausência de Pedro é sentida em cada canto, em cada lembrança, e a ferida da perda é uma constante na vida de Marcos e Sione.
O casal, que antes residia em Teixeira, buscou em Coroa Vermelha um novo lar, onde Pedro, recém-casado, encontrou a oportunidade de prosperar. “Ele tinha um carro, trocou o carro em um outro carro melhor e foi ser Uber lá, né? Foi ser motorista de aplicativo”, relata Marcos, o pai, evidenciando a dedicação do filho ao trabalho e à família. Pedro morava em Santa Cruz de Cabrália e foi lá que o episódio fatídico aconteceu.
A Última Corrida e a Busca Pela Verdade
Na quinta-feira, 09 de janeiro de 2025, por volta das 17h, Pedro Lauan saiu para fazer uma corrida em Santa Cruz Cabrália. Os passageiros, conhecidos dele de corridas anteriores, o chamaram para uma nova viagem. Pedro informou a um colega sobre a corrida, o que se tornaria uma pista crucial para a família na busca pelo filho.
O corpo de Pedro Lauan foi encontrado na manhã do dia seguinte, 10 de janeiro de 2025, em uma pastagem em uma propriedade rural no distrito de Monte Pascoal, em Itabela. Ele apresentava uma perfuração no ombro esquerdo e três tiros na região da cabeça. Seus pertences, como celular e documentos, não foram encontrados. O carro da vítima, um Voyage vermelho, foi localizado horas depois próximo à entrada do bairro Campo Verde, em Santa Cruz Cabrália.
A Polícia Militar de Itabela, ao constatar o ocorrido, acionou a Polícia Técnica, que removeu o corpo para o IML de Eunápolis. A suspeita é que Pedro tenha sido morto em outro local e seu corpo deixado ali pelos criminosos. Uma testemunha anônima relatou ter visto um carro vermelho passando pelo local e deixando o corpo, seguindo em direção a Itabela por uma estrada de terra.
Para Sione e Marcos, a vida em Coroa Vermelha tornou-se insuportável após a perda do filho. “Não dava para a gente ficar lá. Aí a gente veio embora, né? Para Teixeira. Depois do ocorrido, né? Lá, nós trouxemos ele para ficar aqui perto da gente mesmo, né? E foi sepultado aqui em Teixeira”, conta Marcos, revelando a necessidade de retornar às suas raízes em busca de algum consolo e proximidade com a memória de Pedro.
Por: Edvaldo Alves/Liberdadenews