Edelvânio Pinheiro “Drogas e intolerância”
A violência é fruto da banalização da vida e as drogas um mecanismo que dá cordas à ação de quem a pratica. Ninguém parece estar livre dos seus grilhões, nem mesmo os mais ingênuos.
E ela, a violência, faz aumentar todos os dias as estatísticas. Desta vez o inocente estudante de 17 anos, Átila Pereira Vieira, tombou com quatro 4 tiros quando acabava de sair do Colégio Rui Barbosa, em Teixeira de Freitas. Ele foi covardemente assassinado, na manhã do dia 7 de dezembro, por um colega de escola, de 16 anos. Os jovens, estudantes do ensino médio, teriam tido, no dia anterior, uma discussão por causa de uma bola que o autor havia chutado e acertado a vítima. O nome do infrator não pode ser revelado; a lei brasileira não permite, mas sabe-se que ele é filho do ex-prefeito de Medeiros Neto Adelgundes Serapião, que administrou o município por seis anos, de 1983 a 1988.
Situação semelhante de intolerância aconteceu nesse ano na cidade de Medeiros Neto, quando Joel Mota Júnior, 30 anos, o Junão, que é usuário de drogas, matou um homem que lhe devia R$ 20 reais e, seis meses depois, assassinou a esposa, também por motivo fútil. Em ambos os casos ele usou uma facoa, instrumento utilizado no corte da cana, desferindo golpes que dilaceraram por completo órgãos e membros das vítimas.
A intolerância e algumas gramas de maconha, crack ou cocaína na cabeça têm sido, na verdade, a grande motivadora da maioria dos crimes. No caso do menor que matou o colega de escola, a Polícia Militar encontrou na casa dele papelotes de cocaína e ele mesmo confessou ser usuário em seu depoimento à Polícia Civil.
Perseverança. Esta é uma das palavras apropriadas para dar vida à nossa fé diária. Parece que só assim poderemos enfrentar a horrorizante face da violência que impera em nossa região. Esse ano, só em Teixeira de Freitas são quase 130 homicídios.
Perseverar na fé é o que nos resta porque acreditar na Justiça e na mudança das leis nesse país, onde o menor pode eleger um presidente, mas é penalmente inimputável, significa acreditar em historinhas de faz de conta. Enquanto absolutamente nada é feito, estamos estáticos, com as nossas cabeças na mira da impiedosa e bestial opressão. Tenhamos fé, afinal as drogas imperam, a morte abre seus braços intrépidos, a violência continua e as leis brasileiras que tratam do assunto permanecem inertes.
Edelvânio Pinheiro é jornalista e graduado em Letras Vernáculas