Policial

“Exterminador de Morador de Rua”: Suspeito de matar seis pessoas em Teixeira de Freitas é preso no ES após novo crime

07/05/2026 - 22h30

Teixeira de Freitas: Marcelo Campos de Jesus, de 37 anos, foi preso na Serra/ES, acusado de assassinar Vanilson Pereira, de 50 anos. Ele é apontado pela polícia como autor de uma série de seis homicídios cometidos em Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia, entre novembro de 2025 e abril de 2026. Segundo as investigações, o suspeito agia como uma espécie de “exterminador de moradores de rua”, mirando pessoas em situação de alta vulnerabilidade social.

De acordo com o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, todos os crimes seguiam um mesmo padrão: vítimas indefesas atacadas com golpes violentos na cabeça, desferidos com objetos contundentes como pedaços de concreto, madeira ou pedras.

A série de mortes na Bahia

As autoridades baianas investigam Marcelo pela autoria de seis assassinatos em Teixeira de Freitas. As vítimas identificadas são:

· Marilene da Ressurreição Lopes (42 anos), morta em 09/11/2025, encontrada em área de vegetação com lesão na cabeça por instrumento contundente;

· Valdemar da Silva (em situação de rua), agredido em 15/11/2025 e socorrido ao Hospital Costa das Baleias, onde faleceu dias depois;

· Jandira Luz Nascimento (51 anos) e Djalma Vilela Pereira (50 anos), vítimas de duplo homicídio em 16/02/2026, ambos com lesões na cabeça provocadas por objeto contundente;

· Um homem não identificado, localizado morto em uma borracharia em 02/04/2026, com lesões na face possivelmente causadas por um pedaço de madeira;

· Outro homem não identificado, encontrado em 07/04/2026 em um abrigo de ponto de ônibus às margens da BR-101, com sinais de pauladas na cabeça.

A fuga para o Espírito Santo e o último crime

Após a sequência de mortes na Bahia, Marcelo fugiu para o Espírito Santo. No dia 27 de abril, atacou Vanilson Pereira enquanto a vítima dormia em uma calçada no bairro Planalto Serrano, na Serra. Imagens de câmeras de segurança registraram toda a ação: o suspeito se aproxima, observa atentamente os arredores para garantir que não havia testemunhas, retira um bloco de concreto de um bueiro próximo e o arremessa com força contra a cabeça de Vanilson.

Antes de deixar o local, Marcelo reposicionou o bloco de concreto no bueiro — “para deixar a cena do crime limpa”, segundo o delegado Pedro Henrique, adjunto da DHPP da Serra —, retirou R$ 12 da carteira da vítima e foi embora caminhando “como se nada tivesse acontecido”. Pessoas que passaram pelo local na manhã seguinte encontraram Vanilson ferido e acionaram o socorro. Ele foi levado ao Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, mas não resistiu e morreu na terça-feira (5).

Devido ao roubo do dinheiro, a Polícia Civil tipificou o crime como latrocínio (roubo seguido de morte). “O que mostra total desprezo pela vida alheia”, destacou o delegado Pedro Henrique. “Ele falou que mantinha um bom relacionamento com a vítima, mas naquele dia decidiu matá-la para roubar. Com o dinheiro, comprou bala e chips.”

Prisão e investigação

Procurado na Bahia pela série de assassinatos, Marcelo foi localizado e preso na Serra um dia após o crime contra Vanilson. “Uma ação rápida para dar resposta à família, à sociedade e, principalmente, para impedir que outros crimes dessa natureza ocorressem na Serra”, afirmou o delegado Rodrigo Sandi Mori.

Em interrogatório, o suspeito confessou o assassinato de Vanilson e alegou que a vítima o teria agredido cerca de dois meses antes. A versão, no entanto, foi descartada pela polícia, já que Marcelo ainda estava na Bahia no período mencionado. Ele permanece detido enquanto as investigações avançam.

Três décadas nas ruas

Vanilson Pereira vivia em situação de rua havia cerca de 30 anos. Segundo sua mãe, Eva da Silva Pereira, ele saiu de casa após a morte de um irmão em um acidente de trânsito, entrou em depressão e passou a usar drogas. Apesar disso, a família nunca perdeu o contato. “Fiz tudo que podia para tirá-lo da rua. Ajudei até a última hora”, lamentou Eva, que soube da morte do filho por uma reportagem de televisão.

Investigações em Teixeira de Freitas

Nossa equipe de reportagem conversou com o delegado e coordenador da 8ª COORPIN, Ricardo Amaral, acerca dos casos. Segundo o Dr. Ricardo, o Núcleo de Homicídios da 8ª COORPIN segue investigando e apurando os crimes dos quais o suspeito é apontado como autor.

Por: Rafael Vedra/Liberdadenews


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