Policial

Justiça Federal condena cacique Suruí Pataxó a 7 anos e 6 meses por armas ilegais e corrupção de adolescentes

14/07/2026 - 21h13

Eunápolis: A Justiça Federal condenou o cacique Welington Ribeiro de Oliveira, conhecido como Suruí Pataxó, a 7 anos e 6 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de posse ilegal de armas de fogo, inclusive de uso restrito com numeração raspada, e corrupção de adolescentes. A sentença foi proferida na última sexta-feira (10) pela Vara Única da Subseção Judiciária de Eunápolis.

O processo tem origem em uma abordagem realizada pela Força Nacional em 2 de julho de 2025, durante a Operação Pataxó, na Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, em Porto Seguro. Segundo a decisão judicial, o cacique transportava armas, centenas de munições e dois adolescentes, que, conforme as provas analisadas, eram utilizados em atividades relacionadas ao transporte, guarda e treinamento com armamento.

De acordo com a sentença, foram apreendidas duas pistolas com numeração suprimida, sete carregadores e mais de 400 munições de diversos calibres, incluindo munição de uso restrito. O juiz concluiu que todo o material era mantido sem autorização legal.

Ainda segundo a Justiça Federal, a análise de um telefone celular apreendido revelou conversas sobre transporte de armas e vídeos que mostram um dos adolescentes recebendo instruções do réu enquanto efetuava disparos. Para o magistrado, as provas demonstram o aliciamento dos jovens para atividades criminosas, configurando o crime de corrupção de menores. A identidade dos adolescentes não foi divulgada.

Durante o julgamento, a defesa alegou que o cacique havia recebido as armas de integrantes da comunidade indígena e pretendia entregá-las às autoridades. A tese foi rejeitada pelo juiz, que destacou não haver qualquer prova dessa versão nem autorização para posse ou porte do armamento.

Ao fixar a pena, o magistrado considerou a quantidade de armas e munições apreendidas, a presença de munição de uso restrito e o envolvimento de adolescentes como fatores que aumentaram a gravidade das condutas. Além da prisão, o condenado deverá pagar multa.

Welington Ribeiro de Oliveira voltou a ser preso pela Polícia Federal em 17 de março deste ano, durante as operações Sombras da Mata II e Tekó Porã II, realizadas simultaneamente em Porto Seguro e Prado por forças estaduais e federais. Dias antes, ele havia sido solto após a revogação da prisão preventiva por decisão judicial que apontou falta de provas de ligação com organização criminosa.

Fonte: Radarnews


Deixe seu comentário