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“Mãe poderia ter evitado a tragédia”, diz promotora do MP

20/06/2018 - 18h29

Rachel Tannenbaum, promotora do caso

A promotora do Ministério Público de Linhares, Rachel Tannenbaum, que acompanha o caso dos irmãos Kauã Salles Butkovsky (6 anos), e Joaquim Alves (3 anos), que morreram em um incêndio, em Linhares, disse nesta quarta-feira (20) que a morte das crianças poderia ter sido evitada e reforçou, como já publicado anteriormente no Gazeta Online, que o MP acusa Juliana Salles, mãe das vítimas, de omissão.

Na avaliação de Rachel Tannenbaum, que denunciou a pastora, Juliana “foi omissa e, por saber da personalidade confusa de George Alves e poderia ter evitado a tragédia” ao não permitir que o assassino ficasse por um longo período sozinho com as crianças, sem que, contudo, tivesse tomado alguma providência efetiva no sentido de evitar os abusos sexuais e a morte de Kauã e Joaquim.

Juliana Salles viajou para a cidade de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, no dia do crime (21 de abril) deixando os dois meninos por conta de George. Inquérito da Polícia Civil aponta que Kauã e Joaquim foram estuprados, agredidos e assassinados na noite daquele dia.

   “Juliana deixou as crianças à mercê de um homem perturbado, confuso quanto a sua sexualidade, por ele sempre ter tido relação conturbada com as crianças e por menosprezá-las constantemente. O desvio de caráter de Georgeval também foi considerado.

   “O Ministério Público já tinha percebido que havia indícios de que era crime doloso contra a vida, tanto é que, internamente, já foi levado para a segunda promotoria criminal, que tenha atribuição com crimes dolosos contra a vida. No final, quando houve a conclusão do inquérito pela polícia, o MP percebeu que havia outros indícios. Com isso, ele requereu novas dirigências e no âmbito tivemos provas contundentes de que a Juliana tinha conhecimento do despreparo do Georgeval. Na última segunda, logo no começo do dia, o MP ajuizou a ação penal em desfavor dela. Hoje, os dois são formalmente réus“, afirmou a promotora, que fez questão de especificar por quais crimes a pastora responderá.

   “Assim como o Georgeval, a Juliana também responderá por dois crimes de homicídio qualificado, dois crimes de estupro, dois crimes de tortura e por fralde processual. ‘Ah, mas por qual motivo ela responderá pelos crimes sem nem ter estado na cena do crime?’. Ela responderá porque o Ministério Público entende que ela deixou as crianças à mercê de um homem perturbado, confuso quanto a sua sexualidade, por ele sempre ter tido relação conturbada com as crianças e por menosprezá-los constantemente. O desvio de caráter de Georgeval também foi considerado.

Rachel Tannenbaum contou ainda que os trâmites a seguir são os seguintes: os advogados de defesa dos acusados agora vão poder responder à acusação apresentada em inquérito e depois será marcada a audiência de instrução dos réus.

   Na sequência, Georgeval e Juliana vão ser julgados por um tribunal do juri “assim, a sociedade poderá acompanhar e participar” da audiência, que será pública.


Edição Bell Kojima/Repórter Coragem


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