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MP da Bahia denuncia PMs acusados de executar 12 pessoas em Salvador

19/05/2015 - 08h08
mp-ba

Depois de três meses de investigações, o Ministério Público da Bahia denunciou na segunda-feira (18) policiais militares acusados de executar 12 pessoas em Salvador.

As mortes aconteceram em um campinho de futebol na comunidade de Vila Moisés, no bairro do Cabula, em Salvador. Era a madrugada de 6 de fevereiro. Doze jovens, entre eles quatro menores, morreram durante uma ação da Rondesp, um grupamento especial da Polícia Militar. Outros seis também foram baleados, mas sobreviveram.

“Você ouvia a zoada dos tiros, foi muito tiro. Foram mais de 300 ‘tiro’”, conta uma moradora.

Na época, os policiais disseram que foram recebidos a tiros por um grupo que se preparava para assaltar um banco e revidaram. Eles apresentaram armas, drogas e uniformes do Exército que seriam dos supostos bandidos. Um PM foi ferido de raspão.

A Polícia Civil ainda não concluiu o inquérito que investiga as mortes na Vila Moisés. Já a Corregedoria da Polícia Militar decidiu não incriminar os PMs. Mas esse caso também está sendo apurado pelo Ministério Público do Estado, que abriu uma investigação independente.

Os policiais mantiveram a versão de que houve confronto, mas os promotores denunciaram e pediram a prisão preventiva de nove deles por homicídio qualificado e tentativa de homicídio.

Segundo o Ministério Público, foi uma vingança porque dias antes um PM tinha sido ferido num tiroteio com supostos traficantes da área. A promotoria concluiu que os doze jovens foram executados.

“Sabemos que se tratou de uma execução. A análise de todos os laudos cadavéricos dão conta de que as vítimas, ao serem atingidas, elas estavam ou deitadas ou de joelhos.”, disse o promotor Davi Gallo.

Dos 18 baleados, só um tinha passagem pela polícia. Mesmo assim, a promotoria não descarta o envolvimento de alguns deles com o tráfico. A viúva de um rapaz de 26 anos diz que ele era inocente.

“Passagem por tráfico de drogas nunca, nunca. Era uma pessoa muito boa, não era envolvido. Todo mundo aqui gostava muito dele na comunidade”, diz uma moradora da comunidade.

O MP diz que os policiais agiram sem o conhecimento do Comando da PM.

“Essa ação não é uma ação da Polícia Militar. Não existe nenhuma ordem de comando para que fosse realizada aquela ação criminosa”, disse o promotor Davi Gallo.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia reafirmou que as polícias civil e militar ainda não terminaram as investigações das mortes. E que só vai se pronunciar depois da conclusão do inquérito.

Fonte G1


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