Polícia pericia local de suposto confronto em que assaltantes foram mortos pela Caema
O Serviço de Investigação em Local de Crime (Silc) e a 8ª Coordenadoria Regional de Polícia Técnica, voltaram no final da tarde desta terça-feira, 6 de agosto, ao local do suposto confronto em que suspeitos de um assalto a um posto de combustível foram mortos por policiais da Cipe Mata Atlântica, antiga “Caema”. O episódio aconteceu na madrugada do dia 27 de julho, nos fundos do bairro Colina Verde, em Teixeira de Freitas. Diego Gonçalves da Silva, 25 anos de idade, que morava no Redenção e Alan Alves Neres, de 17 que residia no Tancredo Neves, morreram após uma suposta troca de tiros com policiais da Caema.
Os dois estariam em uma motocicleta NZC 3027, e foram perseguidos pelos policiais logo após um assalto na região central da cidade. De acordo com informações dos policiais da Cipe, durante a perseguição, a dupla fugiu em direção ao Colina Verde, mas foram alcançados próximo ao Cemitério Reviver, quando caíram da moto e já se levantaram atirando contra a polícia. Houve troca de tiros e os dois foram baleados.
O exame pericial local desta terça-feira, foi realizado pelo perito criminal Marco Antônio e pelo perito Pablo Bomjardim, após uma solicitação do delegado Marco Antônio Neves, chefe do Silc e titular da Polícia Civil local. O delegado explica que a perícia, procedimento necessário em ocorrências do tipo, se tornou fundamental por conta da ausência de depoimentos dos policiais envolvidos na ação. Ainda segundo Marco Antônio, a Polícia Civil solicitou a prestação de esclarecimento, no dia do episódio, mas PM’s se recusaram. O pedido inicialmente negado, já foi ratificado, mas o delegado ainda não obteve respostas e espera pelo comparecimento dos policiais na delegacia.
Além da falta de esclarecimentos, os policiais militares teriam apresentado dois revólveres calibre 38, – um deles com dois cartuchos deflagrados e quatro intactos, e outro com 3 cartuchos intactos e dois já deflagrados-, que não ficaram à disposição da Polícia Civil, o que teria tornado a ocorrência registrada sem efeito, segundo o delegado titular. O dinheiro do suposto assalto também não foi recuperado, e as armas dos policiais também não foram apresentadas.
Após questionamentos dos procedimentos dos integrantes da Caema, a Companhia divulgou uma nota, em que o comandante da CIPE, major Anacleto França, afirma que todos os procedimentos legais cabíveis estão sendo realizados para esclarecer o episódio. Ainda segundo o comandante, as armas apreendidas com os suspeitos foram encaminhadas à 8ª Coordenadoria Regional de Polícia Técnica no mesmo dia da ocorrência, para realização de exames periciais.
O major França, explicou também, que em operações que ocorre morte por intervenção policial, a lei determina que seja instaurado um inquérito policial militar. Mas segundo explicou o delegado, independente do procedimento militar, a Polícia Civil tem legitimidade constitucional para investigar o caso e apurar se houve um excludente de criminalidade, e encaminhar o inquérito policial ao Ministério Público.
Para o delegado, os procedimentos da prestação de esclarecimento dos policiais e apresentação das armas, e da motocicleta usada pelos suspeitos deveriam ser adotados dentro da legitimidade constitucional, mesmo com abertura de um procedimento militar. “Queríamos ter ouvido como o fato aconteceu e que eles (os policiais) nos trouxesse ao local e colocasse a dinâmica do episódio. Para que não perdesse os vestígios, solicitei o Departamento de Polícia Técnica que fizesse o exame pericial no local do suposto confronto para tentarmos entender o que aconteceu na madrugada de sábado”, disse o delegado.
Para a Polícia Civil o caso se tornou um verdadeiro quebra-cabeça, ainda segundo o que foi colocado pelo delegado, não há registro na 8ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior, de assalto a posto de combustível na madrugada do sábado, 27. O único registro de assalto a um posto foi feito três dias após o suposto confronto, de um roubo ocorrido na quinta-feira, 25, dois dias antes do caso. Em nota divulgada a Caema diz ter encontrado no celular dos acusados, mensagens que os ligariam ao mundo do crime. Em SMS’s, um dos suspeitos alerta outra pessoa, provavelmente um parceiro, sobre a presença de uma viatura da Companhia de Emprego Tático Operacional (Ceto).
O comandante transcreve trechos das mensagens que teriam sido encontradas nos celulares: “A ceto desceu na rua de ksa ae moca seu moto kara”. Em outra mensagem Alan diria a um amigo que iria praticar atos criminosos: “vo fase uma fita mas não cota para niquem”. “e aí ta onde carinha … fis uma fita ali agora … vê se vc vê piu ai manda ele meligar fala q e a maconha dele”.
Segundo explicou o major França, a palavra fita significa roubo, na linguagem do crime. Em outra mensagem, o suspeito também convidaria, outro individuo para praticar um assalto e fazer uso de drogas em seguida: “e ai ladrão, borá fazer esse corre logo pow depois fumar um pdc”.
A perícia
Apesar do espaço de tempo entre o episódio e a realização perícia, (10 dias), a Polícia Técnica encontrou vestígios que podem estar relacionados ao suposto confronto. No local foi encontrada uma mancha de uma substância que não pode ser precisada de imediato, mas tudo indica ser vestígios de sangue. O material foi coletado pelos peritos e será enviado à Polícia Técnica de Salvador. Exames de medicina legal devem confirmar se a substância realmente trata-se de sangue humano e consequentemente a identificação do DNA.
A perícia não conseguiu constatar marcas ou sulcos provocados pela queda da moto mencionada na ocorrência. O perito esclarece que o pavimento do local é de terra batida e em casos de queda, as marcas seriam facilmente esculpidas no terreno, “isso não quer dizer que a queda não tenha acontecido, mas não foi evidenciada nenhuma marca”, disse. Fragmentos de peças de motocicleta também foram colhidos, deixados no local, provavelmente, pela suposta queda. Os pequenos pedaços de peças serão comparadas aos danos da moto que estaria sendo usada pelos suspeitos, assim que apresentadas ao DPT.O veículo estaria no pátio do Detran.
As cápsulas, estojos e projéteis encontrados, só se tornarão prova material após uma microcomparação com as armas dos policiais e dos suspeitos. “Obtendo um exame positivo, iremos reunir o material e relacioná-lo ao local. Antes disso, eles são apenas peças a serem montadas”, destacou o perito Marco Antônio.
O trabalho pericial, resultados dos laudos, que devem ficar prontos dentro dos próximos 30 dias farão parte do inquérito policial instaurado pela Polícia Civil. O processo será remetido ao Ministério Público, após a fase investigativa.
Fonte Sul Bahia News