Policial

Polícia Civil identifica suspeito de matar mototaxista em Teixeira de Freitas; investigado alega legítima defesa

21/03/2026 - 08h38

A Polícia Civil de Teixeira de Freitas (BA), por meio do Núcleo de Combate aos Crimes de Homicídio (NCCH) da Delegacia Territorial, identificou o possível autor do crime que vitimou o mototaxista Romildo André Pereira, conhecido como “Ró”.

O crime ocorreu na noite do dia 9 de março, quando a vítima foi vista pela última vez ao pegar um passageiro na Avenida Presidente Getúlio Vargas, nas proximidades dos postos de combustíveis CNA e GEF Premium, seguindo em direção ao centro da cidade. O corpo foi encontrado no final da tarde do dia 12 de março, em uma área de brejo localizada na Avenida Bernardino Figueiredo, no bairro Residencial dos Pioneiros, durante buscas realizadas por familiares, amigos e colegas.

Após diligências, análise de imagens, quebra de sigilo telefônico, oitivas e outras ações de inteligência, a equipe do NCCH identificou como principal suspeito Carlos Henrique de Jesus, de 23 anos, morador do Residencial Santos Guimarães, no bairro Colina Verde.

Com base nos elementos reunidos, o delegado responsável pelo caso, Dr. William Pereira, solicitou à Justiça a prisão temporária do investigado, medida que foi deferida pelo juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca, Dr. Gustavo Vargas.

De acordo com a Polícia Civil, após o crime, o suspeito fugiu para o município de Prado (BA), onde permaneceu escondido até esta sexta-feira (20), quando se apresentou espontaneamente na Delegacia Territorial de Teixeira de Freitas, acompanhado de seu advogado, Dr. Ramon Guedes.

Durante depoimento, Carlos Henrique alegou ter agido em legítima defesa. Segundo sua versão, houve um desentendimento com o mototaxista sobre o valor da corrida até o bairro Colina Verde, o que teria evoluído para uma briga no local onde o corpo foi encontrado.

O investigado afirmou que teria sido agredido e, nesse momento, utilizou uma pequena faca que carregava no bolso, desferindo um único golpe na região do pescoço da vítima. Em seguida, empurrou o mototaxista para um boqueirão e abandonou a motocicleta em um ponto próximo.

Ele declarou ainda que não houve intenção ou planejamento para cometer o crime, alegando que a ação foi uma reação às supostas agressões sofridas.

Após os procedimentos legais, foi cumprido o mandado de prisão temporária, e o investigado permanece custodiado à disposição da Justiça. A Polícia Civil segue com as investigações, que podem incluir a reconstituição do crime com a participação do Departamento de Polícia Técnica (DPT), a fim de verificar se a versão apresentada é compatível com a dinâmica dos fatos.

O caso também poderá ser enquadrado como latrocínio (roubo seguido de morte), já que o celular da vítima não foi localizado, sendo que sua última localização apontava para a região onde o investigado residia.

Nota da Defesa

A Assessoria Jurídica Guedes & Barbosa Advocacia, por meio do advogado Dr. Ramon Guedes, informou que já está atuando na defesa de Carlos Henrique de Jesus.

Segundo a defesa, a conduta do investigado ocorreu em situação de legítima defesa, versão que será demonstrada ao longo das investigações e do processo judicial, mediante a produção de provas.

De acordo com o relato do cliente, o desentendimento teria começado após discordância sobre o valor da corrida, em um local ermo e com pouco movimento. Ainda segundo a defesa, o mototaxista teria iniciado agressões físicas, o que levou o investigado a reagir para preservar sua integridade.

A defesa afirma que não houve intenção prévia de matar a vítima e ressalta que atuará com base nas garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa.

Por fim, manifestou pesar pela morte do mototaxista e solidariedade à família e amigos, reiterando o compromisso com uma atuação ética, técnica e responsável.


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