Tristeza para Teixeira de Freitas homicídios aumenta e investigação diminui

O estudo leva em consideração as informações do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, em especial as certidões de óbito, visto que nenhum sepultamento pode ser realizado sem a certidão de óbito correspondente, feita no local da morte – em que conste, necessariamente, os dados relativos à idade, sexo, local de residência – sendo um documento imprescindível para a localização espacial dos falecimentos e identificação das zonas sazonais, além disso, o estudo considera não só os homicídios, mas também outras modalidades de violências letais, como suicídios e mortes em acidentes de transporte, para traçar a evolução da mortalidade violenta nos municípios.
De acordo com o Instituto Sangari, Teixeira de Freitas, que, em 2008, ocupava a 88.ª posição no Mapa da Violência, superou 53 posições, passando a ser, conforme os dados de 2010, o 35.º município no ranking dos mais violentos. Em 2008 foram registradas 73 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, sendo que esse número subiu para 101 mortes em 2009 e voltou a crescer para 121 homicídios em 2010 – vale salientar que a média nacional, que já é considerada alta, é de apenas 26,2 homicídios em 100 mil moradores, enquanto a taxa teixeirense é quatro vezes maior.
A pesquisa aponta a Bahia em 7.º lugar no ranking de crescimento da violência no país. Outras cidades baianas também foram [negativamente] destaque, como Eunápolis (15.°), Itabuna (8.°) e Porto Seguro (5.°), no extremo sul, e Simões Filho (1.°) – região metropolitana, que ficaram entre as quinze cidades com maior taxa de homicídios. Enquanto a capital baiana aparece em 86.º lugar, com 1.484 mortes violentas em 2010 (86 homicídios para cada 100 mil moradores).
Mesmo como 6.ª cidade mais violenta, Polícia Civil indica diminuição de homicídios em Teixeira
Contudo, embora Teixeira seja de acordo os dados supracitados, uma cidade de destaque no ranking dos municípios brasileiros mais violentos, dados da Comissão Setorial da Secretaria de Segurança Pública do Estado, em Salvador – conforme divulgação feita pelo delegado-coordenador Marcus Vinícius Almeida, da 8.ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), em coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira (13) –, apontam aumento da produtividade da Polícia Civil em Teixeira de Freitas, e, surpreendentemente, queda na taxa de crimes contra a vida.
O delegado divulgou que, comparando-se o ano de 2011 ao primeiro semestre de 2012, houve crescimento no número de inquéritos policiais instaurados e resolvidos, de prisões em flagrante, assim como de prisões efetuadas a partir da investigação de homicídios, e também cresceu o volume de armas e drogas apreendidas, volume este que teria suplantado até mesmo os números da própria Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE). O que chamou atenção, contudo, foi a redução de 35,7% no número de homicídios, tendo como base a comparação entre junho de 2011e Junho de 2012.
Marcus Vinícius atribuiu o aumento da produtividade e redução do número de crimes contra a vida em Teixeira de Freitas ao combate qualificado ao tráfico de drogas, e, também, à parceria estabelecida entre os principais agentes da segurança pública, como Polícia Civil, Polícia Militar, polícias rodoviárias Estadual e Federal, além do Poder Judiciário e Ministério Público, o que teria possibilitado, através de ações conjuntas, maior eficácia no combate ao crime.
Números contradizem a diminuição de homicídios
Muito embora a produtividade da força policial tenha aumentado, como demonstrou o delegado, ao que parecem, esses esforços ainda estão aquém do necessário para diminuição, de fato, da criminalidade, sobretudo da ocorrência de crimes contra a vida, posto que, levando-se em consideração dados obtidos no site da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, e no próprio cartório da 8.ª Coorpin, percebe-se que o número de homicídios tem sofrido acentuado aumento se relacionados forem os anos de 2008 a 2011: em 2008 aconteceram 59 homicídios, em 2009 foram 67, chegando a 105 no ano seguinte, e, em 2011, já foram registrados 121.
Adianta-se ser inválida a justificativa de que as ações e progressos anunciados referem-se ao ano corrente, haja vista que apenas nesses seis primeiros meses já foram registrados, aproximadamente, 67 homicídios, praticamente mesma quantidade que no ano de 2009 – computando-se os doze meses, obviamente, o que demonstra que os crimes contra a vida, estão, em 2012, numa velocidade duas vezes superior ao ano comparado – o que leva à inevitável reflexão de que, se nossa força policial está um passo mais à frente de sua atuação no ano anterior, nossas congratulações, mas ao que parece, a criminalidade deu, ao menos, outros dois passos à sua frente – a partir do que se conclui, mesmo em face ao aumento de produtividade da Polícia Civil, Teixeira de Freitas continua a trilhar o caminho que a define como uma das cidades mais violentas do Brasil.
Fonte Jornal Alerta