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“As redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”

As campanhas políticas, em curso no país, estão dando razão ao filósofo, romancista e estudioso da comunicação Umberto Eco, que morreu aos 84 anos. Seu olhar crítico sobre a evolução da sociedade moderna, vaticinou esse comportamento da sociedade a que estamos expostos. Em 2015 essas declarações dele me chocaram, mas hoje eu peço desculpas a ele por ter discordado, que ousadia a minha! Como ele estava certo. Vejam a declaração simples e fácil de entender, deixada por ele, a qual transcrevo:
“ As redes sociais deram direito à palavra a legiões de imbecis que, antes só falavam nos bares, após um copo de vinho e não causavam nenhum mal para a coletividade”. Continua Umberto Eco, “ Nós os fazíamos calar imediatamente, enquanto hoje eles têm o mesmo direito de palavra do que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis”.
Enquanto os candidatos debatem e se debatem ao rés do chão, cujo conhecimento dos nossos problemas estão com a mesma profundidade de um prato de sopa, eles vão servindo de espelho para (infelizmente) uma parcela relevante de pessoas frustradas, complexadas e incultas. Fora a parcela de empresários sem valores, aqueles da agiotagem e os que vivem de licitações fraudulentas feitas em prefeituras de todo o país.
Essa é a mistura que forma essa legião de imbecis que tanto falou Umberto Eco. Os imbecis que agridem os eleitores daqueles que não comungam com as suas vontades. Pessoas que trazem dentro de si o terreno fértil para eclodir as sementes do fascismo, da antidemocracia, mesmo sem saber o que é isso. Esse terreno fértil é cultivado pelos seus complexos e frustrações. Agridem as pessoas e as reputações. São os imbecis tendo voz. “ A internet promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.”
Por Érico Cavalcanti