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Bolsonaro critica governadores por descumprirem decreto; “aflora o autoritarismo”

13/05/2020 - 12h55Por: Bell Kojima

Jair Bolsonaro

O presidente, Jair Bolsonaro, usou as redes sociais para criticar governadores que já se manifestaram pelo descumprimento do decreto assinado por ele, que incluiu academias, salões de beleza e barbearias na lista de atividades consideradas essenciais. De acordo com o Bolsonaro, estabelecimentos desses tipos podem reabrir mesmo durante medidas de isolamento social vigentes durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19).

Em uma publicação no Facebook, o presidente citou que “alguns governadores se manifestaram publicamente que não cumprirão o Decreto n°10.344/2020” e sugeriu que estes procurassem a Justiça ou o Congresso.

A medida, no entanto, é contrária à do Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu, em 15 de abril, a Estados e municípios a autonomia para decidir sobre a adoção de restrições e orientações de distanciamento social.

– Alguns governadores se manifestaram publicamente que não cumprirão nosso Decreto n°10.344/2020, que inclui no rol de…

Publicado por Jair Messias Bolsonaro em Terça-feira, 12 de maio de 2020

Ele também reproduziu um trecho do texto no seu Twitter:

Os governadores que não concordam com o decreto podem ajuizar ações na justiça ou, via congressista, entrar com Projeto de Decreto Legislativo“, disse.

Para Bolsonaro, contrariar o decreto presidencial “aflora o autoritarismo“.

O afrontar o estado democrático de direito é o pior caminho, aflora o indesejável autoritarismo no Brasil“, disse.

E justificou:

Nossa intenção é atender milhões de profissionais, a maioria humildes, que desejam voltar ao trabalho e levar saúde e renda à população.

Na semana passada, em visita ao STF, Bolsonaro avisou que assinaria outros decretos para ampliar o rol de atividades essenciais. Naquele mesmo dia, ele incluiu a construção civil e a indústria.

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Governadores

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O governador Wilson Witzel (PSC-RJ), um dos principais alvos de críticas de Bolsonaro, não deve aderir ao decreto.

Estimular empreendedores a reabrir estabelecimentos é uma irresponsabilidade. Ainda mais se algum cliente contrair o vírus. Bolsonaro caminha para o precipício e quer levar com ele todos nós“, afirmou o governador em sua página no Twitter.

O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), também via redes sociais, afirmou que “as atividades de academias, clubes, centros de ginástica e similares, além de salões de beleza e barbearias, seguem suspensas em todo Estado até o dia 20 de maio“.

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), foi na mesma linha:

Reafirmo que aqui no Pará essas atividades permanecerão fechadas. A decisão é tomada com base no entendimento do STF.

Já Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, destacou que a decisão sobre a reabertura dos estabelecimentos incluídos na norma é dos prefeitos.

O decreto federal que considera esses serviços como essenciais não altera a autonomia de gestão dos municípios“, disse Zema.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou que o decreto de Bolsonaro não altera as regras que estão em curso no Estado.

Segundo Leite, o decreto de ontem do presidente da República não conflita com o estadual porque no Rio Grande do Sul, por exemplo, salões e barbearias já estão funcionando em algumas localidades, “seguindo absolutamente todos os estudos científicos e protocolos sanitários para a não propagação do vírus, com as devidas restrições“.

Edição: Bell Kojima


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