O “Belo” do Extremo Sul é sucesso no blá-blá-blá da Prestação de Contas

Lisonjeada pelo convite, que hesitei a aceitar, aqui estou, colunista do “Reportercoragem.com”. Numa tentativa de ser sucinta, explico que o nome da coluna – ENTRELINHAS – faz alusão à forma crítica como todos devemos ler – seja o texto oral, escrito, simbólico, gestual, ou, imagético. É necessário fazer sempre leitura inteligente, sair da superficialidade do que o interlocutor ou escritor lhe oferece, porque os discursos sempre têm um objetivo, que pode ser alienar – deixar as pessoas alheias à realidade, passivas, objetos, não sujeitos de sua história. Quem lê as entrelinhas, aquilo que está além do escrito, consegue interferir e modificar o seu contexto social. E é disso que o Brasil precisa! De leitores perspicazes, que enxergam o que está entre as linhas.
Aqui falarei de assuntos diversos, a partir da leitura que eu fizer de cada um deles, sendo que, obviamente, nem sempre o que aqui eu escrever estará de acordo à sua opinião. Até porque, cada um lê e compreende conforme suas leituras anteriores, vivências de mundo… Para começar, um pouco sobre a famigerada “prestação de contas” sobre a festa da cidade.
Bem, que as sessões da Câmara, quando alguém ousa demonstrar opinião contrária às que tentam incutir em nossas, vira bagunça, quiproquó doido, eu já sabia. Mas, que uma coletiva de imprensa na prefeitura para prestação de contas do “Teixeira Folia” teria de tudo, inclusive, cerceamento e/ou limitação da palavra, eu jamais imaginaria (mentira!).
Primeiro, a maioria dos representantes da imprensa local deveria ter vergonha de ir para qualquer reunião – seja sobre o que for – e deixar o celular ligado. Aliás, isto é regra de conhecimento geral, minha gente! Segundo, quando não incomodam com o celular, ficam na internet, mais especificamente, no Facebook, como pude comprovar vendo muitos que lá, na prefeitura, estavam, on-line no chat da rede social e curtindo, postando fotos da reunião. Como respeitar ‘profissionais’ deste naipe? Lamento, colegas, mas, muitos de vocês têm o prefeito que merecem. Se bem que, devido ao teor das últimas matérias que foram ao ar durante o período de festa e todo o silêncio da maioria durante a tal prestação de contas, acho que João Bosco (JB, como chamo o prefeito mais simpático da região) andou distribuindo a fatia do bolo que tanto veículo de comunicação esperava.
No entanto, os poucos ainda não ‘ajudados’ por JB insistem em fazer o papel da imprensa. Foi o caso dos repórteres que ousaram questionar os critérios usados para contratação das bandas, salientando a necessidade de explicar para o povo o porquê de Wesley, vocalista da banda Fantasia do Samba e, principalmente, acusado de tentativa de homicídio contra a ex-companheira há poucas semanas, ter puxado o trio no primeiro dia da festa. Aqui, abro parênteses para explicar que o questionamento não fugiu do contexto de uma PRESTAÇÃO DE CONTAS, tendo em vista que a contratação foi paga com dinheiro público, além do mais, por ser polêmica, exige explicações – pena que, para mim, não foram convincentes.
Como era de se esperar, os correligionários do prefeito carismático e sossegado ficaram bravinhos, mas, deram suas desculpas – esfarrapadas para seres pensantes; aceitáveis para… (tirem suas conclusões). Segundo eles, 15 músicos não poderiam pagar pelo erro de uma única pessoa. Vejamos. A pergunta foi sobre critérios. Ok. Disseram que levaram em consideração as bandas que tem um histórico de participação na festa. No entanto, alguém poderia dizer que isto poderia ser exceção no caso de uma banda cujo vocalista tentou matar a mulher na frente da filha de 2 anos, da sogra e de uma amiga do casal. Ah! um fiel escudeiro de certa secretaria sentiu-se no dever de atabalhoar a fala do coordenador e defender ferrenhamente o ‘pai de família’ Wesley, que ali estava trabalhando dignamente para ‘ganhar o pão de cada dia’.
Após secar minhas lágrimas, prossigo com este bobo texto: oras, que mundo vivemos? Os pais de família hoje tentam matar as esposas na frente de crianças e tudo é normal, afinal, a Globo exibe shows de Belo e da Banda New Hit (aquela cujos integrantes estupraram menores em uma micareta na cidade baiana de Ruy Barbosa) e nós, de Teixeira de Freitas, nos sentimos compelidos a seguir o exemplo da grande emissora (grifos meus sobre a explicação dada pelo homem da justiça à contratação da Fantasia do Samba). Lindo! Esqueçam Lei Maria da Penha, por favor. Ele é só acusado. A Justiça quem decide. A nós, cabe aceitar o exemplo de impunidade e dançar atrás do trio, como a maioria fez.
Ao que sei, este foi o ápice de uma pequena confusão criada por uns poucos repórteres que cutucaram a onça com vara curta. Ainda bem que JB tem assessora de pulso firme, que leva todos em rédea curta e bota pra calar até secretários mais afoitos. Uma prova de inteligência, pois, sabemos que se eles falarem demais, se complicarão. É preciso manter o foco e dizer o texto conforme o ensaiado, não é mesmo?! Gente com pouca perspicácia precisa que outro fique dizendo a hora de mudar de assunto ou dar espaço para mais perguntas. Gostei da assessora!
Quanto ao que foi gasto e o que se arrecadou, penso: o lucro do Sincomércio é fruto do Dia das Mães; penteado se faz para casamento e batizado; atrás do trio se vai de tênis, não de sapato; enfim, este blá-blá-blá do Sincomércio agradecendo a administração não pegou nada bem. Fechando: o suposto lucro não põe fim a um terrível e prolongado “caos financeiro”, que culminou em decretação de estado de emergência, logo, está festa nem deveria ter ocorrido… Mas, entendo, o povo gosta mesmo é de pão e circo. Bela jogada, JB!
Carla Félix é formada em Letras Vernáculas pela Uneb/Campus x. Revisora, redatora e editorialista; atua em jornal e sites de notícias da cidade.