Debate entre secretário estadual de Cultura e população marca passagem da Caravana Cultural por Prado
A passagem da Caravana Cultural por Prado foi marcada, à noite, por um debate muito positivo entre o secretário estadual de Cultura, Albino Rubim, e os representantes culturais locais.
Entre os temas debatidos, destacam-se a importância do Plano Nacional de Cultura – já que o problema da descontinuidade era um grande empecilho nesta área, os planos de longo prazo são essenciais para que haja estabilidade às políticas culturais do Estado. Importante ainda foi a colocação da proposta para que os projetos concorram entre si por região, o que contemplará uma diversidade territorial maior possível.
Também foram citados o avanço e a imparcialidade que os editais propiciam, já que, historicamente, os projetos eram escolhidos através de amizades e indicações – hoje, apesar de deficientes em certos aspectos, os editais democratizam a distribuição de verba.
Um dos momentos mais intensos do debate ficou por conta do desabafo de Priscila, educadora local, que expôs a necessidade da cultura ser também direcionada à questão ambiental, citando, inclusive, o seu projeto para a preservação da água. Além disso, Priscila também apontou a necessidade da conservação e valorização da cultura indígena, que muitas vezes acaba sendo esquecida, ou, diminuída em relação a outros tipos de cultura.
Antes disso, durante o dia, a Caravana Cultural passou pelo distrito de Cumuruxatiba e visitou o circo Don Juan. Fundado há 3 anos por Gili e Juan, o “circo”, que, na verdade é um belo espaço arborizado, em frente à praia e decorado com objetos circenses, tem um propósito muito maior do que formar malabaristas e trapezistas – eles se preocupam em estimular as relações humanas e ensinar às crianças e jovens da região sobre respeito, amor e tolerância ao próximo. Pode-se dizer que os fundadores – ela, israelense; e ele, argentino – são cidadãos do mundo; passaram 30 anos morando em diversos países sempre vivendo de arte e resolveram estabilizar-se em Cumuruxatiba, criando este espaço cultural aberto para todos. Segundo a própria Gili, a motivação deles é “espalhar o conhecimento de vida adquirido para as pessoas e mostrar que há opções, que é possível viver de uma forma alternativa”. Lá ocorrem oficinas dos mais variados tipos como música, fabricação de pão caseiro, artes circenses, teatro e educação ambiental.
Em Prado, no auditório da Câmara Municipal, houve apresentações de música e dança, essas que estão tão presentes na cultura pradense.
O show começou com o trompetista Mário e seguiu com outro grupo de Marujada, o que mostra como esta tradição de origem africana é importante para o Sul da Bahia. Em seguida, houve a apresentação teatral “Jesus Não Foi Pra Cruz”, interpretada com grande talento e desenvoltura por Catarina Vitória, integrante do Grupo Pradarte. A capoeira foi muito bem representada pelo Pernada Baiana e a parte teatral ficou por conta de um monólogo interpretado pelo Greg, integrante do Grupo de Teatro Persona, que teve como tema o significado e o prestígio de ser pradense.
As apresentações de dança foram maioria nas manifestações culturais em Prado, sendo representados os ritmos que mais fazem sucesso no Estado. O grupo Zouk Na Veia fez uma demonstração do gênero zouk, dança latina de grande influência no Norte/Nordeste; o grupo Aero Axé Dance coreografou sucessos do axé contemporâneo; o pagode também esteve presente através do grupo Suingue Atrevido e o arrocha foi representado pelo grupo Melhor Que Chocolate.
Um dos grandes destaques da noite foi a apresentação do projeto Quebra o Coco, Mas Não Arrebenta a Sapucaia, finalista do 3º Concurso Aprender e Ensinar – Tecnologias Sociais, promovido pela revista “Fórum” e a Fundação Banco do Brasil. Idealizada pelo professor André Luís, a proposta traz a iniciativa da geração de renda em escolas do município através do artesanato proveniente da sapucaia.