Política

Jotta Mendes Pensando com Coragem “O discurso mudou; e agora, João?”

20/01/2013 - 18h45
Jotta Mendes Pensando com Coragem
Dizem que na guerra, para ganhar, vale tudo, mas, às vezes, este tudo custa caro. O arrependimento só vem tarde, uma vez que, é impossível mudar o passado.

Na política, a estratégia para vencer é traçada como se uma guerra fosse disputada; só que na política não vence quem acerta mais, vence quem erra menos.

Na montagem de uma estratégia para vencer uma campanha política, os pretensos candidatos fazem acordo com quem pode e até com quem não pode. A tática baseia-se no ditado de que “os fins justificam os meios”. Isso é um risco que se corre, porque tem fins que não justificam os meios, ou vice-versa.

Quem já imaginou Lula e Maluf juntos? Mas, isto ocorreu na eleição de 2012, em São Paulo – tudo para eleger Fernando Haddad.

Lula e Collor já foram como água e óleo, coisas que não se misturam.

No entanto, hoje, caminham juntos e um já pediu votos para o outro e vice-versa.

Assim é a vida política.

Em 2010, João Bosco teria uma eleição garantida para deputado estadual, porém, preferiu sair candidato a deputado federal, qual o objetivo?

Atrapalhar Uldurico Pinto e inviabilizar sua reeleição. Acabou conseguindo o que queria: não ganhou para deputado federal, mas conseguiu fazer com que Uldurico se recolhesse à sua insignificância, pois sempre teve cargo federal, entretanto, nunca trouxe um tostão federal para a região.

Ao deixar claro seu objetivo de atrapalhar Uldurico, João Bosco acabou ganhando um adversário que estava disposto a fazer tudo para que ele não ganhasse a Prefeitura de Teixeira de Freitas.

Aí veio o Facebook, e João se tornou presa fácil de Uldurico, rendeu-se à sua chantagem e Uldurico se tornou seu aliado de primeira linha.

Resultado: sem as rádios contra ele, João Bosco se tornou prefeito eleito de Teixeira de Freitas.

E quanto João vai pagar por este apoio?

O valor exato é difícil de mensurar, mas, o mesmo apoio foi oferecido a Temóteo pela bagatela de R$ 60 mil mensais. Temóteo não aceitou e perdeu a eleição.

O acordo de João e Uldurico foi um pouco mais arrojado do que seria com Temóteo, além do valor mensal de R$ 60 mil, Uldurico levou duas Secretarias – a Saúde e a Infraestrutura.

Na Saúde, Uldurico colocou seu sobrinho Marcos Pinto, que colaborou bastante na campanha, mas também foi chefe de gabinete na fraudulenta gestão de Ubaldino e Uldurico em Porto Seguro.

Na Infraestrutura, Uldurico colocou Valdo Gusmão, vindo de Itamaraju, homem simples, que não conhece os problemas de infraestrutura de Teixeira de Freitas. Ele foi para o lugar que seria de Anderson Pinto, que chegou a ter seu nome ventilado, todavia, não conseguiu aglutinar apoio para ser mais um sobrinho de Uldurico na administração.

Portanto, o preço pelo apoio “Pintista” será muito alto – duas secretarias que têm um orçamento alto mais a bagatela de sessenta mil reais mensais. Este é o preço do silêncio das rádios dos Pinto.

Entretanto, teve outro apoio, que não ficou tão evidente, mas, foi determinante para a vitória de João – o apoio do ex-prefeito Apparecido, que lançou candidato apenas para manter a pose. O acordo era na “hora H” ceder e apoiar João, e foi o que ocorreu: na hora que a política afunilou, Apparecido reuniu o povo e mandou votar em João.

Mas, qual foi o preço desse acordo?

O preço seria João não abrir a caixa preta e ajudar Apparecido nos problemas que ele deve enfrentar na Justiça.

João elogiou, mesmo depois da eleição, em diversas ocasiões, o ex-prefeito Apparecido, em certas ocasiões os elogios eram tão explícitos e sem necessidade que ficava claro o apoio na eleição.

Na ocasião do anúncio do secretariado, João elogiou de forma tão direta o então prefeito Apparecido, que pareciam eternos aliados, naquele momento Apparecido era um prefeito bem intencionado e muito democrático, coisa que Apparecido nunca foi.

Mas, na terça-feira, 15 de janeiro, João rompeu os elogios e mudou o discurso: botou a boca no trombone e anunciou um rombo de quase R$ 10 milhões deixados por Apparecido, que deixou também um déficit de um milhão mensal na Saúde.

Mas, e o que houve? Por que mudou o discurso? E agora, João?

Será que valeu apena o acordo com Apparecido?

Por que o acordo só durou 15 dias?

O que João viu que ninguém sabia?

Porque toda cidade sabia que a saúde está sucateada.

Será que realmente houve todo este rombo? Ou João estaria usando um subterfúgio para um eminente fracasso de sua administração?

Se o acordo com Apparecido, que era um homem bem intencionado, só durou 15 dias, quantos dias vai durar o acordo com Uldurico, que todo mundo sabe que consegue tirar dinheiro de cofre sem precisar abrir? Será que João vai aguentar ser chantageado por Uldurico durante os quatro anos?

Bom, na campanha era “AGORA É JOÃO”, hoje, é hora de o povo dizer E AGORA, JOÃO?

Aguardamos cenas do próximo capítulo.

Na próxima tem mais.

Jotta Mendes é radialista e repórter


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