Política

Jotta Mendes Pensando com Coragem “Padre Apparecido vai falar; e agora, João?”

31/03/2013 - 17h49
Pensando com Coragem
Já dizia o ditado, “quem fala demais dá bom dia a cavalo”. E pode ser o que está prestes a ocorrer em Teixeira de Freitas.

Para se tornar prefeito, João Bosco Bittencourt fez alianças difíceis de serem administradas, levando para o grupo vitorioso pessoas como o ex-deputado Uldurico Pinto, que, via Facebook, caiu de paraquedas na campanha de João e acabou virando o salvador da pátria.

Bosco também levou para seu grupo o deputado mensaleiro Josias Gomes, aquele que foi sacar o mensalão na boca do caixa, homem difícil de ser aceitado em qualquer grupo honrado, por conta de seu histórico de envolvimento em corrupção.

Mas, de todos que foram amparados na corte Bosqueana, o que pode dar mais trabalho, por ser quem, de fato, deu votos a Bosco, é o padre Apparecido. É que João teria feito um acordo com o padre, no entanto, não aguentou tudo que viu na sacristia e acabou melando parte do combinado, que era não mexer na caixa preta da gestão passada.

Em 15 de janeiro, Bosco rompeu o silêncio e anunciou um rombo de nove milhões apenas na saúde, apesar de a cidade saber que é bem maior.

O que importa é que tal “descoberta” gerou o problema para Bosco, que pode enfrentar a fúria do monsenhor, um padre destemido, que fala olhando nos olhos e gritando.

Após tomar conhecimento das declarações do prefeito João Bosco, Apparecido, aquele que o esperou até altas horas da noite do dia 1º de janeiro, ficou revoltado.

Segundo nosso informante, que tem trânsito livre na sacristia do padre Apparecido, após as declarações, o padre teria chamado Bosco ao seu confessionário e dito “Doutor, ou o senhor para, ou, eu vou apoiar o senhor Temóteo na próxima eleição”. Parece que Bosco entendeu o recado e parou de criticar Apparecido.

Entretanto, mesmo assim, o padre resolveu falar. É esperada para os próximos dias entrevista em que Apparecido promete falar tudo. Caso isso ocorra, não ficará pedra sobre pedra.

De acordo ao nosso informante, o ex-prefeito vai apresentar um relatório provando que deixou 12 milhões no caixa; com direito a papéis comprobatórios.

Será um Deus nos acuda!

Já imaginou se isso for verdade?! Como justificar o decreto de estado de emergência?

No mínimo, aquela entrevista coletiva que ocorreu em 15 de janeiro terá sido um jogo de cartas marcadas.

Não sou bom de matemática, por isso, quero convidar você a fazer uma conta comigo.

Padre Apparecido diz que deixou 12 milhões.

João Bosco, por sua vez, afirma que encontrou um rombo de nove milhões.

12 com 9 é igual a 21, então, numa espécie de constatação, o rombo é bem maior: porque se havia 12 de saldo e está devendo nove, 21 foram gastos.

A pergunta é: quem gastou?

Quem está com a razão?

Onde estão os 21 milhões?

Quem foi o último a sair da prefeitura na gestão padre Apparecido?

Agora, é importante saber quem é essa pessoa, porque ela deve ter levado o dinheiro.

Ah! Mas, pode ser também o primeiro a entrar na gestão João Bosco, que viu o montante lá e acabou passando a mão. Quem seria a primeira pessoa a entrar na prefeitura na gestão João Bosco?

Josias Gomes? Acredito que não. Se bem que ele estava na posse. Todavia, acho que na prefeitura ele não foi.

Afinal, quem está com a verdade?

O padre, que João Bosco dizia que era um homem bem intencionado?

Ou, João Bosco, que era o homem que tinha a confiança do padre?

Onde estão os 21 milhões?  Apparecido falará mesmo?

João Bosco repassará para o padre Apparecido cerca de R$ 30.000,00 mensais em prol do Núcleo de Voluntários Sociais.

Como o padre deixou um rombo e ainda vai receber essa bolada por mês?

Tudo que sei é que tem muita coisa estranha nesse negócio.

O bom é que Apparecido vai falar.

E agora, João?

Jotta Mendes é radialista e repórter


Deixe seu comentário