Um governo em crise, que não consegue começar

Já passamos dos 200 dias da administração João Bosco Bittencourt (PT), prefeito que, ao sair vitorioso do pleito realizado em outubro de 2012, despertou uma grande esperança no povo, sentimento que, agora, se transforma em decepção, frustrando os sonhos de pessoas que viveram a frustração de acreditar no padre Apparecido, que fez uma administração marcada pela perseguição, ódio e rancor.
Ao que parece, a gestão João Bosco seguirá o mesmo caminho que a do padre, fazendo um pífio governo, com as velhas mazelas que a população já conhece, pois sempre termina sendo a grande vítima dos políticos que estão acostumados a cometerem o chamado estelionato eleitoral.
Os critérios utilizados tanto por Bosco, como pelo padre, para iniciar a gestão foram os mesmos, o que faz os dois serem tão parecidos, que com o tempo o povo vem descobrindo que foi enganado por ambos.
Na escolha dos seus secretários, Apparecido nomeou pessoas sem nenhuma qualificação técnica, que serviriam apenas para fazer as coisas do jeito que ele queria; mesmo critério utilizado por Bosco.
A grande diferença é que na administração do padre quem mandava era ele, já na de João, quem manda é um grupo de pessoas, que está pouco interessado no bem da cidade. A Bosco sobra apenas o direito de assinar papel, já que ele “vendeu sua alma ao diabo” para chegar ao poder.
Já seu grupo, faz da cidade o que bem entende, monta licitações, arruma decretos, tudo para justificar a saída da verba que a cidade possui.
Quando o padre trouxe para sua administração pessoas da região para compor a equipe, o povo se queixou. João Bosco trouxe não só pessoas de fora, mas, também, empresas, que apenas vêm pegar o dinheiro do povo e vai embora.
A empresa do lixo veio de fora. Para o transporte escolar já teria batido o martelo para uma empresa de fora, mas, parece que a incompetente comissão de licitação cometeu novamente alguns equívocos e a licitação foi cancelada – esta já é a segunda que é feita, o vencedor é anunciado e depois, por pura incompetência da presidência da comissão, todo o processo precisa ser cancelado.
Imagine, senhores, que o presidente da comissão é formado em direito, possui OAB e comete erros tão infantis que nem mesmo uma pessoa sem qualquer instrução cometeria. Talvez, por ser instruído a favorecer certa empresa, o nobre advogado acaba ficando nervoso quando percebe que outra, que não faz parte do combinado, pode vencer a licitação.
Porém, se os erros de Bosco fossem apenas no processo licitatório seria fácil, haja vista que até o dia 7 de julho ele administrou sob decreto de emergência, que foi decretado em 7 de janeiro com validade de 90 dias, sendo prorrogado por mais 90 dias. Como a incompetência da administração João Bosco Bittencourt é generalizada, nem mesmo sob decreto de emergência ela conseguiu deslanchar e fazer o que a cidade tanto precisa.
O decreto serviu apenas para que o prefeito e seu forasteiro grupo quitassem algumas dívidas de campanha com empresas de fora, ligadas a caciques do PT, que botaram dinheiro na candidatura de Bosco e pegaram de volta já.
Passaram 200 dias e, até agora, fizeram apenas massacrar árvores e pintar faixa, além de torrar cerca de R$ 900 mil com a festa da cidade. Nas demais coisas todos continuam decepcionados com a administração atual, que, pelo que apresentou até aqui, dá sinais de que vai se transformar na pior administração que Teixeira de Freitas já viu.
Porém, ainda há tempo de João Bosco virar o jogo. A pergunta é: será que ele vai conseguir? Para quê isso ocorra, ele precisa se desprender de algumas vaidades pessoais, acabar os discursos e começar o governo, que já enfrenta uma crise que parece que vai se arrastar durante todo o mandato.
Depois da saída da secretária Isabel Cristina, a administração João Bosco vem tentando contornar um rompimento inevitável com Uldurico Pinto, que culminaria na saída de Marcus Pinto, que já foi dado como carta fora do baralho por duas vezes, no entanto, ao que parece, vai resistir à tempestade.
João Bosco teme que ao romper com Uldurico, o caso Facebook volte a ser explorado, o que lhe acarretaria uma crise moral, já que este caso ainda tem coisas gravíssimas que não foram exploradas e o silêncio de Uldurico Pinto e suas rádios acabaram fazendo de Bosco o prefeito da cidade.
Uldurico, porém, está descontente com a turma de Bosco, que, obviamente, tem dificultado a vida do ex-deputado dentro da administração, o que faz com que o próprio busque o rompimento e a saída honrosa de uma administração fadada ao fracasso.
A pergunta que não quer calar é: estaria João Bosco preparado para enfrentar a fúria de Uldurico Pinto em um eventual rompimento?
Pelo que parece, acho que não, prova disso é que toda vez que o ex-deputado manda soltar o verbo na rádio, imediatamente, a turma Bosqueana tenta contornar e chama Uldurico para conversar.
Entretanto, está praticamente impossível dar sustentação a uma administração destinada ao fracasso como a de João Bosco. Até velhos companheiros petistas já estão pulando fora do barco. Há muita gente dizendo “vai dar errado, deixa eu sair fora antes”.
O clima está tão feio que até a assessoria de release anda meio sem graça e sem coisas para redigir.
O diagnóstico destes sete meses é esse – um governo em crise, que não consegue começar.
Torço, sinceramente, que as coisas mudem, mas, pelo visto, serei mais um a me frustrar com a expectativa de dias melhores com a administração João Bosco Bittencourt.
Um forte abraço e até a próxima.
Jotta Mendes é radialista e repórter