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Memorial de Teixeira foi inaugurado na Câmara de Vereadores

31/12/2014 - 17h33
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Estive na noite de segunda-feira, 29 de dezembro, na Câmara de Vereadores de Teixeira de Freitas acompanhado o cerimonial de inauguração do salão memorial da história do município, contada por alguns tradicionais personagens históricos de Teixeira de Freitas, e fiquei encantado com a ideia.

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Achei o projeto interessante, audacioso e moderno, no entanto, em minha opinião como radialista e jornalista crítico com 40 anos no município, tenho que fazer algumas ressalvas, mas, afirmo de antemão que não tenho nenhuma intenção de criticar a forma em que foi elaborado o projeto de maneira destrutiva, mas, construtiva.IF

Longe de mim como radialista, jornalista sem diploma e crítico, morador em Teixeira de Freitas há 40 anos, avaliar a ideia e iniciativa do então presidente da casa Ronaldo Cordeiro (Baitakão) como negativa, pelo contrário, a ideia foi excelente, no entanto, houve falhas gritantes em parte daquilo que foi mostrado de forma geral no encontro.IF

Observei e fiquei mais sossegado quando o próprio mentor da ideia, Ronaldo, presidente da Câmara, segundo ele, com o aval de todos os demais edis, disse que muita coisa falta acontecer, e que a amostragem foi apenas um começo. Ele mencionou que tudo foi feito as pressas para que houvesse tempo de ser inaugurado dentro da sua gestão; na verdade, ele não enganou ninguém, falta muita coisa mesmo.IF

Ora, sinceramente, acho que essa parte não foi legal, tenho lembrança que tentaram inaugurar o estádio municipal de Teixeira de Freitas no ano passado as pressas, sem que o mesmo estivesse concluído, num jogo entre o Bahia de Feira e Serrano de Vitória da Conquista, que colocaria em risco a integridade física de quem ali comparecesse, já que ao redor do campo estava cheio de pedras, lajotas, madeiras e material de construção de forma geral, e não tinha como se inaugurar o campo naquela data, foi ai que eu intervi junto a FBF e a inauguração foi imediatamente suspensa, assim que a entidade recebeu o meu ofício.

Se eu tivesse conhecimento, repito, como morador há 40 anos no município, do conteúdo deste trabalho, e tivesse sido inquirido por algum daqueles que fez parte das pesquisas, teria pedido a ele para adiar essa inauguração, pois, na realidade, em termos de informação, deixou muito, mas, muito mesmo, a desejar.

Eles pesquisaram e ouviram basicamente pessoas ligadas a parte política da história, no entanto, ainda muito incompleta, houve uma afirmativa equivocada por demais quando se abordou a questão do plebiscito da emancipação política e administrativa do município, e não foi citado o nome do seu principal intercessor, o saudoso ex-vereador e ex-presidente da Câmara, Ângelo Soares Dias. Não posso concordar com tamanho engano, ademais, os pesquisadores demonstraram ter pouco conhecimento do que estavam sendo naturalmente pagos para fazer. Eles não ouviram pessoas e autoridades em outros setores da história, faltou a parte comercial, cultural, industrial, social, esportiva, entre outras.

Não se pode e ninguém tem o direito de contar a história do município de Teixeira de Freitas sem ouvir, por exemplo, o senhor Belarmino de Barros, que além de conhecer o município a fundo, faz parte de uma bela história cultural e comercial do município, não se pode contar a história de Teixeira de Freitas sem ouvir Alair do Foto Arte, até mesmo porque, entendo que a profissão dele retrata a própria história, ele também tem aproximadamente 40 anos de Teixeira de Freitas, e quando aqui chegamos, em 1974, ainda era um pequeno povoado.

Eu entendo que não tem como iniciar um projeto desse nível se entre os responsáveis pelas pesquisas e pela coleta de dados e informações que serão apresentados na conclusão do trabalho, não tenha efetivamente a participação de um integrante da imprensa, com conhecimentos pelo menos básico da história do município.

Não se pode contar a nossa história sem falar da instalação de madeireiras na região, que implantou a exploração e o beneficiamento da madeira, com as mais de 120 serrarias e as carvoarias incontáveis que aqui existiam, nos anos 70 e 80, e que comandavam a economia do município foi ponto passivo para o início da economia local e do próprio crescimento da cidade na época, teria que se conversar com integrantes da família de Nelito e Gilberto Cardoso, com Barbosa, com integrantes da família do saudoso senhor Lourenço, fundador e que deu nome ao maior bairro da cidade.

Vou mais adiante: não tem como ficarem fora das pesquisas familiares do saudoso cabo Raimundo, dona Maria, sua esposa, era uma antiga professora, uma das pioneiras no município, e deve ter muita coisa arquivada. Os integrantes da família Siepierski sabem tudo da cidade, senhor Boleço e dona Nelia, tinham que ser ouvidos e muito ter falado dela na segunda-feira, com dona Amélia Campana, se não me engano, a primeira mulher do legislativo teixeirense, dona Aurenice, esposa do saudoso Ângelo Dias. Tinha que falar com os Ferreira (meu pai, 43 anos de Teixeira, um dos mais antigos feirantes da história do município, entre outros), com a minha mãe Maria Gonçalves, uma das pequenas comerciantes dos anos 70, que atendia centenas de trabalhadores nas carvoarias na sua pequena mercearia.

A família dos Carvalho tinha que ser ouvida, a família dos Chicon, a dos Almeida (Roberto Almeida, ex-vice-prefeito), senhor Antenor, com Valdetino Primo, familiares do saudoso Beto da Casa Leuza, familiares de João do Cocô, familiares de Mauricio Cotrim, com a família Góis, com José Carlos da Construtora, familiares do jogador Alessandro, Vanildo Cazelli, tinham que buscar informação com João Biquine, com familiares da saudosa Maria Mil Reis, entre tantos outros, e aí já dava para fazer um apanhado satisfatório.IF

A imprensa em primeiro lugar teria que ter sido ouvida, ninguém mais do que ela tem tantas informações da história de Teixeira de Freitas, a começar por Geyso fotógrafo e família, Valtinho da Power, Alceu Gonsalves, Antônio Carlos, Jota Batista, Ediva Nunes, Jader Pereira, João Araújo, dr. Jorge Cleber médico, que foi radialista ainda menino, entre outros. Na parte esportiva poderia citar Amadeu Ferreira, que além do esporte sabe um pouquinho da nossa história, e o desportista Ataleia, não poderia ficar de fora, aliás, eu como radialista e jornalista atuante na área esportiva não fui ouvido, e confesso gostaria de ter sido.

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É claro e evidente que apesar da cidade ser ainda muito jovem, tem moradores com 60, e até mais de 70 anos de idade, nascidos aqui, nos idos dos anos 40 /50, mas não significa que por terem nascido aqui no município, eles conhecem a história do mesmo na sua totalidade. Tenho dito.

Por Amadeu Ferreira

Jornal Tribuna do Esporte


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