Política

Pensando com Coragem 110 dias se passaram: João Bosco, “desça do palanque e vá governar a cidade”

21/04/2013 - 21h53

Pensando com CoragemAté tentei evitar esta análise, mas, diante dos fatos que vêm ocorrendo, é praticamente inevitável qualquer pessoa que entenda o mínimo de política não chegar a essa conclusão: ou João Bosco desce do palanque, ou, vamos precisar de alguém para ser prefeito.

A eleição que consagrou o cardiologista prefeito da cidade ocorreu em 7 de outubro de 2012. Naquele dia, por volta das 19h30, já era possível saber que João Bosco era o prefeito da cidade com 57,75% dos votos válidos – 38.666 votos.

Desde aquele momento o palanque deveria ter sido desarmado, João Bosco e sua equipe começado a planejar como colocariam em prática o plano de governo.

Porém, o que temos visto até agora é que o palanque continua armado e Bosco segue fazendo promessas de campanha. Em um ritmo intenso faz discurso quase todo dia para uma plateia que só muda de lugar; as pessoas são as mesmas.

Se tiver um microfone ligado em Ibirapuã, la vai João Bosco e sua trupe, leva cachorro papagaio periquito, tudo que era pra se deixar em casa.

Ah! o microfone está ligado em Lajedão. Lá vai João Bosco: “quero cumprimentar o companheiro Betão”. Ei! espere aí, Betão é DEM, então, não é companheiro, é o amigo Betão. “Vamos fortalecer nossas parcerias, vamos trabalhar em prol do nosso povo”, dispara.

Nestes 110 dias que se passaram de seu mandato, ele ainda não começou a governar, apenas colhe os “louros” da eleição.

Aí começa o desafio de Teixeira de Freitas: quem vai dizer para João Bosco Bittencourt a frase mágica que tem que ser dita como uma ordem e não como pedido:

“Desça do palanque e vá governar a cidade”. Esqueça o mandato e assuma o governo.

Chega de colocar a culpa em outras pessoas ou explicações tolas. Primeiro, a desculpa era que em início de governo não dá para fazer muita coisa; depois o culpado passou a ser o padre. Quem será o próximo?

Pode ser o povo, que votou em um homem engessado para governar a cidade que está há oito anos abandonada.

João segue meio aéreo. Parece que está mais conectado com o Facebook do que comprometido em governar a cidade.

Durante os 110 dias, Bosco deve ter passado uns 20 na Prefeitura. Os outros noventa foram nos palanques ao redor e fora do Extremo Sul. No entanto, neste período foram assinados mais de 50 decretos, de forma que ele já é conhecido como “João dos Decretos”. Ousaria dizer é decreto demais para prefeito de menos.

Ah! têm também as portarias, as resoluções, outros documentos assinados, mas, governar que é bom nada.

Agora começam a aparecer os escândalos, além de colocar a cidade em seis meses de emergência, sendo que é emergência por todo lado: é na seca, na gorda… Tudo é emergência. Menos a necessidade de João governar a cidade.

O primeiro escândalo é o do Software, quando João contratou, via Fundo Municipal de Educação (FME), uma empresa para dar suporte de software pela bagatela de R$ 370 mil mensais, perfazendo o valor anual de R$ 4.440.000,00 (quatro milhões e quatrocentos e quarenta mil reais), algo fora da realidade para o município que ainda está longe de alcançar tanta tecnologia.

O segundo já está por vir à tona. Os passarinhos me contaram que a empresa que vai fornecer carne para a merenda escolar vem das terras de Salvador. A carne vai viajar 850 quilômetros para chegar aqui e matar a fome das crianças. Isso é como dizer ao faminto: espera por 12 horas que vou lhe mandar um pão. Mas, fazer o quê? Talvez, Bosco tenha aprendido com alguém.

Desde o primeiro mês de mandato ele criou a chamada prefeitura itinerante, que viaja pelos quatro cantos da cidade não apresentando soluções. Bosco sai de casa em casa como se tivesse pedindo voto. O negócio é tão ridículo que, quando foi ao Duque de Caxias nem seus fieis secretários quiseram sair nas casas apertando as mãos das pessoas. Bosco saiu sozinho e deixou os correligionários na praça esperando.

Quando João chegou o circo estava armado, um palanque debaixo de uma lona, com direito a discursos cansativos, sem nenhuma solução, é hora das promessas: “vou fazer isso, vou fazer aquilo, vou voltar aqui novamente para discursar. Se vocês tiverem saudade ligue um microfone e mande me chamar, se quiser eu discurso até amanhecer o dia”, assim ele deveria falar.

“Vou falar do companheiro Lula, da companheira Dilma. Ah! vou mandar um abraço para o José Dirceu. Ele está me ensinando a montar o mensalão municipal, eu já tenho até alguém parecido com Marcos Valério, está no controle interno. Quem sabe ele vai controlar o mensalão municipal?”, seria mais honesto de sua parte.

Em 110 dias Bosco já conseguiu ser pior do que o padre em oito anos, pois houve greve branca e os médicos não estão atendendo, exceto emergência. Pode ser por isso que ele já decretou três vezes estado de emergência, é para ver se os médicos atendem.

A educação está em polvorosa. Os professores estão revoltados com o contrato milionário que o prefeito fechou, mas não fez o repasse que deveria aos profissionais do setor.

Digo que antes tarde do que nunca. Ou Bosco desce do palanque, ou, trará de volta Vagner Mendonça, o médico de verdade, não o médico particular. Ao menos naquele tempo não havia greve branca. Os tempos são outros, mas, Vagner Mendonça foi o último governante que esta cidade teve.

Se ninguém tem coragem eu vou dizer, afinal, meu nome é Repórter Coragem: “Bosco, desça do palanque e governe a cidade”.

Jotta Mendes é repórter e radialista


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