Pensando com Coragem “Uma proposta para calar a boca”

Depois do sucesso da coluna passada, confesso que tive dificuldade em escrever esta, porque a responsabilidade aumentou e serei muito mais cobrado de agora em diante. Sorte minha; azar de quem virar alvo das minhas críticas. Confesso que com o auxílio da professora Carla Félix, eu tenho, a cada dia, expandido meu vocabulário, por isso, sentindo-me mais a vontade para escrever.
Mas, vamos ao que interessa, afinal, de enrolação, basta o que faz o prefeito que o povo elegeu.
A “proposta para calar a boca” é uma estratégia da administração de João Bosco usada para limitar a imprensa local. Ainda no início do seu governo, um aliado da atual gestão, que já virou inimigo, disse-me isso enquanto viajávamos a Itamaraju, para uma eleição da Associação dos Prefeitos do Extremo Sul (APES). Na ocasião, a pessoa falou, também, que até que este aprendiz de escriba seria prioridade para João Bosco, porque a administração petista temia o que posso escrever.
Ao ouvir isso pude entender o fato de ainda no início do mês de janeiro terem me chamado às pressas na prefeitura para conversarem comigo. Naquela oportunidade, fui o primeiro representante de veículo de comunicação a ser chamado para um diálogo sobre trabalho, onde me falaram de interesse de trabalharmos juntos, mas, não me fizeram proposta financeira.
Ao questionar o porquê de a administração querer toda imprensa calada, me colega foi enfático ao dizer: “Querem todo mundo quieto para roubar a vontade”. Ao ouvir isso, dei uma única resposta: “Eu vou ser oposição a este governo”. No que meu interlocutor se indignou e me chamou de maluco, questionando-me sobre qual seria o motivo para eu recusar qualquer proposta da administração petista de Teixeira de Freitas?
Eu disse de forma rápida e simples: “Tenho duas pensões por mês a pagar, um filho para criar em casa, conta de água, luz, telefone, internet, prestação de carro e outras coisinhas que seguem a todo pai de família; mas, não aceitaria me calar e ver minha cidade ser dilapidada”.
Naquele momento, ainda duvidava da afirmação do meu colega, de que as intenções petistas eram dilapidar o município teixeirense. Ainda não consigo acreditar que, realmente, seja isso, sigo crendo nas boas intenções do governo do PT, embora de boas intenções o inferno esteja cheio.
Porém, com o passar do tempo, vejo que ele acertou. Quase toda a imprensa está quieta, salvo uns quatro veículos que até agora não se calaram; o “Repórter Coragem” está entre eles.
Justamente, agora, com o silêncio de boa parte da imprensa, começam surgir os escândalos na administração. O primeiro a vir à tona foi o do Software, quando João contratou, via Fundo Municipal de Educação (FME), uma empresa para dar suporte de software pela bagatela de R$ 370 mil mensais, perfazendo o valor anual de R$ 4.440.000,00 (quatro milhões e quatrocentos e quarenta mil reais). Embora digam que tudo está nos conformes, o preço é absurdo.
Agora, chega ao meu conhecimento algo estranho envolvendo a festa da cidade: enquanto a prefeitura divulga que serão gastos R$ 500 mil, descobrimos de fonte segura que R$ 1 milhão e duzentos mil serão torrados na folia. Além disso, o barraqueiro Osvaldo denunciou o que pode ser um esquema montado para driblar a lei e fazer com que dinheiro entre via caixa de empresa e depois seja rateado, sabe-se lá Deus com quem! O escândalo foi denunciado na imprensa, o MP já agiu e convocou Osvaldo, que deve prestar esclarecimento na segunda-feira.
Bom, enquanto isso, podemos assistir ao “silêncio dos inocentes”. Não é do filme que falo, aliás, nem dá para saber de quem ou o quê falo, afinal, destes veículos de imprensa que estão quietinhos, arrisco dizer que não tem um inocente.
A quem interessa “uma proposta para calar a boca”?
Jotta Mendes é repórter e radialista