Política

Relator do mensalão do PT condena 9 réus por lavagem de dinheiro

11/09/2012 - 00h13
Ao pedir a condenação, nesta segunda-feira, de nove dos dez réus do item quatro da denúncia do mensalão, o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, afirmou que a estrutura montada pelo publicitário Marcos Valério e pelos dirigentes do Banco Rural para abastecer o esquema de corrupção do PT teve características do crime organizado.

Para Barbosa, não há dúvidas da participação criminosa do empresário Marcos Valério, seus dois ex-sócios, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, seu advogado, Rogério Tolentino, duas funcionárias do grupo, Simone Reis e Geiza Dias, e três pessoas do Banco Rural, a sócia Kátia Rabello, o ex-vice-presidente José Roberto Salgado e o executivo Vinícius Samarane.

Segundo Barbosa, foram “comprovadas 46 operações de lavagem de dinheiro” do Banco Rural para o mensalão. Ele afirmou que os envolvidos “dissimularam a natureza, origem, localização, movimentação e disposição de valores milionários, bem como ocultaram os beneficiários dessas quantias”. “A lavagem foi praticada pelos réus em uma atuação orquestrada, com unidade de desígnios e divisão de tarefas típicas de crime organizado”, afirmou.

Dirceu/ Joaquim Barbosa disse ainda que Kátia Rabello sabia que a verba dos empréstimos beneficiaria as pessoas indicadas pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares a Marcos Valério. Ele considerou  “revelador” os encontros do ex-ministro  da Casa Civil José Dirceu com a ex-presidente do Rural e o publicitário, um deles no Palácio do Planalto. “Era o próprio Marcos Valério quem agendava essas reuniões. Não bastasse isso, ele chegou a participar da  realizada no Palácio do Planalto”, afirmou.

Barbosa também citou um empréstimo de R$ 10 milhões, obtido pelo advogado Rogério Tolentino. O dinheiro, na verdade, saiu do Fundo Visanet e o advogado tentou “limpar” o montante recebido usando as empresas de Valério.

Dilma indica Teori Zavascki para o STF

A presidente Dilma Rousseff indicou, nesta segunda-feira, o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Teori Albino Zavascki para o lugar de Cezar Peluso no STF (Supremo Tribunal Federal). O nome precisa ser aprovado agora pelo Senado. Casado, Zavascki tem 64 anos, é de Santa Catarina e tem três filhos. Formou-se em direito em 1972, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde fez mestrado e doutorado. Entre 1989 e 2003 integrou o Tribunal Regional Federal da 4 Região (RS, SC e PR), do qual foi presidente entre 2001 e 2003. Foi do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul de 1993 a 1995. Ele também é professor universitário e está no STJ desde maio de 2003.

A escolha da presidente foi elogiada tanto pela base governista como pela oposição. A OAB também referendou a indicação de  Zavascki. Segundo o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, se o Senado aprovar a indicação do novo ministro antes do final do julgamento do mensalão, previsto agora para outubro, ele poderá votar na ação penal. Para Britto, Zavascki teria a prerrogativa, inclusive, de pedir vista do processo, possibilidade que atrasaria ainda mais a decisão final. O ministro Marco Aurélio Mello concordou. “Se o integrante do Supremo se declara habilitado a votar, ele pode votar.”

Fonte Diário de São Paulo


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