Sem proposta, Robinho parte para o ataque na reta final da eleição

Com três mandatos de deputado estadual, candidato a deputado federal intensifica o confronto político e passa a ser cobrado pelo histórico de sua atuação no Extremo Sul
A aproximação do dia 4 de outubro coloca a eleição em sua fase decisiva — e, junto com ela, aumenta a temperatura do confronto político. No Extremo Sul da Bahia, candidatos que durante anos ocuparam espaços de poder agora precisam encarar uma pergunta inevitável: o que fizeram, de fato, para merecer novamente a confiança do eleitor?

Entre os nomes que estão no centro desse debate está o deputado estadual Carlos Robson Rodrigues da Silva, o Robinho, candidato a deputado federal pelo União Brasil.
Com três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa da Bahia, Robinho construiu uma longa trajetória política. Mas tempo de mandato, por si só, não significa necessariamente resultado. E é justamente nesse ponto que surgem as críticas de setores do eleitorado e de seus adversários políticos.
A cobrança é direta: quais são os grandes resultados deixados por Robinho para o Extremo Sul da Bahia após tantos anos ocupando uma cadeira no Legislativo estadual?

Em vez de apresentar ao eleitor uma prestação de contas capaz de responder a essa pergunta, o candidato tem protagonizado uma campanha marcada pelo confronto e por ataques contra adversários.
QUANDO FALTAM RESULTADOS, SOBRAM ATAQUES?
Na política, criticar adversários faz parte do jogo democrático. O problema começa quando o ataque passa a ocupar o espaço que deveria ser preenchido por propostas, projetos e prestação de contas.
É essa a crítica que vem sendo dirigida a Robinho nesta reta final de campanha.
O eleitor não precisa apenas ouvir quem o candidato pretende combater. Precisa saber o que ele pretende fazer, como pretende fazer e, principalmente, por que não fez antes aquilo que agora promete realizar.

Depois de três mandatos como deputado estadual, a candidatura a deputado federal naturalmente coloca seu passado político sob escrutínio público.
E esse é o ponto central: quem pede mais uma vez o voto precisa estar preparado para explicar o que fez com os votos que recebeu anteriormente.
O ELEITOR MUDOU
O velho modelo político baseado apenas em discurso, fotografia, palanque e ataque ao adversário já não encontra o mesmo terreno fértil de décadas atrás.
Hoje, qualquer discurso pode ser confrontado com documentos, vídeos, votações, declarações públicas e registros disponíveis na internet.
O eleitor também passou a questionar mais.
Não basta dizer que representa determinada região. É preciso demonstrar.
Não basta atacar adversários. É preciso apresentar propostas.
Não basta pedir voto. É preciso justificar por que merece recebê-lo.
A campanha de Robinho, portanto, entra em sua reta final diante de um cenário no qual seu passado político será inevitavelmente colocado na balança.
O VOTO NÃO É HERANÇA
Talvez esse seja o maior desafio de quem passou muitos anos no poder: compreender que o voto não é propriedade de político algum.
Cada eleição começa do zero.
O eleitor não tem obrigação de repetir sua escolha porque votou anteriormente. Mandato não cria dívida. Cargo público não transforma voto em herança.
No fim das contas, quem decide é o cidadão.
E, quando as urnas forem abertas, não serão os ataques, as provocações ou as estratégias de campanha que falarão mais alto.
Será o voto.
Até lá, Robinho terá que responder ao debate que a própria candidatura colocou na mesa: depois de três mandatos como deputado estadual, qual é o legado que pretende apresentar ao eleitor do Extremo Sul para pedir uma cadeira na Câmara dos Deputados?
Essa resposta, mais do que qualquer ataque a adversários, pode ser uma das questões centrais para quem vai decidir o futuro político da região.