Uldurico Junior mostra desenvoltura no seu primeiro discurso no Congresso Nacional
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores deputados,
Meus caros internautas,
Meu povo brasileiro.
Este é o nosso primeiro pronunciamento neste parlamento.
Sinto a responsabilidade e emoção em expressar nesta tribuna democrática os nossos compromissos e aspirações. Sou o deputado mais jovem do atual Congresso Nacional.
E ser o Deputado Federal mais novo do país me faz sonhar alto, mas traz também a firmeza das obrigações que assumimos perante o povo baiano e brasileiro.
A Folha de São Paulo publicou no dia 10 de outubro de 2014 a matéria que fala da Era pré Uldurico Junior, foi uma deferência competente, séria e respeitosa ao meu respeito. Realmente perdi alguns momentos marcantes, mas tenho o dever de representar uma geração que nasceu após a ditadura militar assassina que tirou sangue e suor do povo brasileiro.
Uma geração pós Assembleia Nacional Constituinte de 1988, que deu um ordenamento jurídico mais justo a sociedade brasileira.
Uma geração que estava no berço quando eclodiu a grande mobilização de massas Movimento Diretas Já.
Hoje a nação brasileira assiste estarrecida os problemas de toda ordem, desde a crise de falta de água, de luz, de estradas pavimentadas, falta transporte coletivo, na dimensão das necessidades do povo brasileiro.
Falta transparência.
Hoje é escândalo da Petrobras, metrô, gasoduto. Agora, hoje também senhor Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a crise moral instalada no poder público assusta pela dimensão e proporções e escandalizam uma sociedade e desafia uma geração.
Hoje o ESTADO De DIREITO está implantado.
A Polícia Federal tem cumprido brilhantemente o seu papel.
O ministério público com poderes ampliados pela última Assembleia Nacional Constituinte está fortalecido, transparente, corajoso e independente.
Enfim, as instâncias do judiciário estão funcionando plenamente.
Esta geração que represento não admite ditaduras, não admite Auschwitz.
Não admite diminuir direitos trabalhistas.
Esta geração, que tenho a honra de pertencer não aceita a história de que o jovem é apenas o futuro.
O jovem Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados é o presente seja ele qual for.
A história do povo africano, que veio a força para as terras brasileiras, nossos povos indígenas e europeus perfazem mais de 95% de povo brasileiro, junto com outros povos que vieram para o nosso país e juntos foram forjados no sol, na chuva, na poeira dos sonhos inacabados.
Estou aqui assumindo a minha juventude, mas, sobretudo as ideias, as propostas e as bandeiras da classe trabalhadora do nosso país.
Conto com o respeito e a experiência dos mais antigos parlamentares, mas conto também, sobretudo, com o sentimento de mudança que elegeu mais de 43% dos parlamentares do Congresso Nacional.
Tenho história firme e exemplos importantes, sou neto de Alencar Furtado que foi líder do MDB, candidato a governador do Paraná e parlamentar cassado pela malfadada ditadura militar.
Meu tio Chico Pinto foi preso pela ditadura militar por ter criticado a vinda ao Brasil do ditador do Chile, Augusto Pinochet, com as botas sujas de sangue do povo chileno.
Meu pai, Uldurico Pinto, foi membro da Assembleia Nacional Constituinte quando votou favoravelmente todas as proposições que fortaleceria o Ministério Público e a classe operária do nosso país. Foi o parlamentar apontado por pesquisa como o Constituinte que mais votou a favor das mulheres.
Concluo nosso pronunciamento com um poema como fez a 3 décadas atrás meu tio Heitor Alencar Furtado, deputado federal assassinado no Paraná, também eleito, com 22 anos, o mais novo do país, o poema de Thiago de Mello que diz assim:
“Faz escuro mas eu canto,
porque a manhã vai chegar.
Vem ver comigo, companheiro,
a cor do mundo mudar.
Vale a pena não dormir para esperar
a cor do mundo mudar.
Já é madrugada,
vem o sol, quero alegria,
que é para esquecer o que eu sofria.
Quem sofre fica acordado
defendendo o coração.
Vamos juntos, multidão,
trabalhar pela alegria,
Amanhã é um novo dia”
Muito obrigada!