érico
cavalcanti

Um natal complicado

02/12/2022 - 21h20

Estamos no início de dezembro, mês em que se comemora o Natal. Estou aqui a imaginar como seria o Natal do imperfeito e Debilitardo neste ano. Com toda a certeza será um Natal complicado pra ele. Imagino que como nos outros anos, toda a família se reunirá na casa dos pais da família do Debilitardo.

Na sala enfeitada com motivos natalinos, uma árvore de Natal cheia de bolas coloridas, ao pé da árvore vários pacotes de presentes. Imagino também uma mesa grande, coberta com uma toalha bordada, com oito ou dez lugares, definidos com os pratos e os talheres postos à frente, na cabeceira sentará o pai.

Imagino o pai sentado, sentada a sua direita a mãe, a esquerda do pai e em frente a mãe, senta o Debilitardo, ao lado do Debilitardo a sua sereia, ela como diz a mitologia grega, cantava maviosamente atraindo os marinheiros até os barcos baterem no rochedo onde elas habitavam, qualquer semelhança, com Penelope, é mera confidência.

Sentado em frente a cunhada o irmão do Debilitardo. Isso mesmo, bem em frente a sereia que encanta o irmão com seu canto ao pé do ouvido, levando-o a se chocar no paredão do Ministério Público ou nas grades da Polícia Federal. Esse irmão, vereador e presidente da Câmara, trouxe um presente para o irmão, colocou- o ao pé da árvore também, fechado num envelope pardo com o timbre da Câmara. É o mesmo que foi enviado a ele para o gabinete da prefeitura. O clima desse jantar é tenso, esqueci de dizer acima, que essa reunião natalina da família, era a ceia da noite de 24 para o dia 25. Tenso porque houve um racha entre os dois irmãos. A cunhada cantou tanto nos ouvidos do Debilitardo, que conseguiu que o irmão vereador denunciasse os “ratos forasteiros” que tomaram conta da prefeitura.

Imaginem um Natal assim, só os netos fazem barulho e conversam na mesa. O pai de cabeça baixa tenta mastigar o belo pernil, mas o que engole é o dissabor de ver isso acontecer.

Chega a hora da entrega de presentes, os irmãos não trocam olhares, muito menos o vereador e a cunhada. O vereador para sair daquele constrangimento, se adianta e resolve caminhar até a árvore e buscar o presente que ele trouxe para o irmão. Apanha o envelope e entrega ao irmão. Este, esboçando um quase sorriso de canto de boca, abre e lê o envelope. Parece que o mundo caiu na sua cabeça, ele entrega o envelope para sua sereia. Esta lê o requerimento que o envelope traz, guarda-o novamente e diz para o cunhado, que a esta altura já está se despedindo dos pais, “ isso aqui já foi entregue no gabinete”, o vereador responde de longe, “é só para lembrá-lo da data, pois, se não cumprir, algumas medidas serão tomadas contra ele”.

Ficaram curiosos com o conteúdo do requerimento? Aqui vai resumido o que três vereadores querem ver, Joris de Gel, Marquinhos Gomes e Marcos Belitardo: requerem que seja enviado a Câmara, toda a planilha de custos, as notas fiscais pagas para a empresa, a medição da obra e o projeto de sinalização horizontal e vertical da Avenida Adonias Filho, (ladeira do Colina Verde). Eu acho que muita coisa não existe aí , vai ser um Natal complicado.

Por Érico Cavalcanti


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