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Entenda as causas dos problemas de Saúde Pública em Teixeira

11/05/2017 - 10h17

A crise na Saúde de Teixeira de Freitas, na avaliação do secretário de Saúde do município, José Archangelo Deppizol e de especialistas consultados por pelo Foco, está relacionada a pelo menos dois problemas: o atual modelo de financiamento do sistema, considerado falho e insuficiente, que leva ao segundo problema, o desinteresse de médicos especialistas (urologistas, cardiologistas, neuros etc.) em destinar consultas ao SUS.

De acordo com Rodrigo Diego Lenine (diretor da Atenção Básica – coordenador dos Postos de Saúde) e do consultor em Saúde Pública, Paulo Henrique Grantha, a causa das filas na Regulação são, exatamente, a falta de médicos especialistas interessados em atuar pelo SUS. Para eles, a matemática é básica:

   O governo Federal paga R$ 10,00 por consulta – nem uma manicure trabalha por R$ 10,00; a prefeitura insere mais R$ 60,00 para cada consulta, mas, um médico especialista cobra, no conforto de seu consultório, o valor de até R$ 250,00 por consulta. Isso significa que esses médicos encaram o SUS como um bico, não como responsabilidade”, explicou Paulo Henrique.

Lenine explica que o que está sendo praticado em atendimento nos postos é simples e eficiente e tem por finalidade agilizar o processo de atendimento conforme a complexidade do que está acontecendo ao paciente.  O usuário do SUS se dirige ao posto de saúde, onde é feita uma avaliação. Se o estado do paciente não permitir que seja tratado no posto, ele é encaminhado a UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Fica sob a responsabilidade da UPA  atender, ou, em casos específicos, encaminhar para o Hospital Municipal.  No entanto, a falta de especialistas torna o processo moroso. Esse entrave alimenta a comercialização da saúde.

Conclui-se que, de forma racional, é impossível recriminar o posicionamento dos profissionais que ignoram a demanda do município, até porque, quanto pior estiver o atendimento na área de especialidades, mais pessoas são obrigadas a desistir das necessidades básicas do dia a dia para pagar consultas. Somente a caridade desses profissionais justificaria a predisposição dos mesmos em trabalhar pelo SUS quando o caos é tão lucrativo.

Além da falta de médico especialista a atual administração recebeu uma Secretaria de Saúde com 41 PSFs (Posto de Saúde da Família) e 1 PSP (Posto de Saúde do Presídio), faltando 22 médicos e  15 dentistas. Várias contratações foram feitas e, hoje, a Secretaria contabiliza ainda 5 unidades sem atendimento médico.

   Quatro médicos de Cuba estavam destinados a vir para Teixeira de Freitas, mas, segundo Rodrigo Lenine, o Programa ‘Mais Médicos’ está passando por uma reformulação: “os médicos cubanos já estavam comprando passagem para embarcar em direção ao município quando a reformulação foi feita dando prioridade a médicos brasileiros. Por esse motivo teremos que esperar a contratação de novos médicos”, afirmou.

Para suprir a vacância de médicos até a chegada dos novos profissionais, a Secretaria optou por uma medida paliativa visando o conforto da comunidade. Por isso, em algumas Unidades de Saúde, durante algum tempo, vai vigorar um sistema de escala com 20 horas semanais de atendimento médico. Para que funcione, alguns postos farão atendimento ao paciente pela manhã e, outros, à tarde.

A Secretaria aposta no fortalecimento da atenção básica e em medidas preventivas para minimizar os problemas causados pela carência de médicos especialistas e acredita que a inauguração da Policlínica, prevista para acontecer no final do mês de julho, deve melhorar a situação, pois o excedente do aporte de recursos destinados aos pequenos municípios será reinvestido na Policlínica, oxigenando a saúde do município.


Katia Armini/Foconopoder



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