Jotta Mendes

Sergio Moro no Ministério da Justiça pode desarquivar escândalo de corrupção contra Uldurico Pinto e Ubaldino Junior


Pensando com Coragem


26/11/2018 - às 16:11h
Por Bell Kojima

 

O ano era 2003, José Ubaldino Alves Pinto, o Ubaldino Junior, estava no seu segundo mandato como prefeito de Porto Seguro. Este havia sido eleito em 1996 e reeleito em 2000. Ubaldino Junior, um político promissor, teve o futuro político interrompido por um escândalo a nível nacional, o qual foi denunciado numa sexta-feira, no Jornal Nacional.

O escândalo ganhou proporção numa reportagem especial do Fantástico do domingo seguinte, voltando a ganhar destaque no Jornal Hoje, Jornal Nacional, nos programas da Globo News e outras emissoras de televisão.

O escândalo envolvendo empresas fantasmas, iam desde donas de jornais, à empresas de pães para a merenda escolar.

Os pães seriam adquiridos em Salvador para serem consumidos em Porto Seguro, cerca de 700 quilômetros de distância. No entanto, os alimentos nunca saíram de Salvador e nunca chegaram em Porto Seguro. E isto custou cerca de 50 milhões de reais aos cofres públicos de Porto Seguro.

Com o escândalo, até hoje, Ubaldino Junior nunca conseguiu se candidatar. Já, Uldurico Pinto, se candidatou três vezes; em 2006 foi eleito suplente de deputado federal, vindo em seguida assumir a vaga, já que o titular virou secretário do governador, Jacques Wagner, no governo da Bahia; em 2008 se candidatou a prefeito de Teixeira de Freitas e correu antes da eleição, porque as pesquisas indicavam que ele seria um fracasso nas urnas; em 2010 foi candidato a reeleição como deputado e perdeu a eleição. Então em 2014 lançou seu filho, Uldurico Alencar Pinto, o Uldurico Junior, como seu substituto, este se reelegeu em 2018.

Em 2012 Ubaldino Junior e Uldurico Pinto foram considerados pela justiça inelegíveis até 2019, em razão da má gestão 2001/2004.

No entanto, o escândalo nunca ficou devidamente esclarecido. O pai usou o mandato de deputado federal, quando eleito em 2006, para agir pelo arquivamento do processo.

O escândalo foi tão grande que provocou um pronunciamento do então presidente da republica, Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula. Este exigiu que uma força tarefa fosse apurar o escândalo. Waldir Pires, ministro da Controladoria Geral da União, foi outro a se pronunciar contra o escândalo.
Na época, eu estava fazendo o curso de rádio e TV em Itabuna e acompanhei atentamente a repercussão do fato.

Até hoje o dinheiro que Uldurico Pinto e Ubaldino Junior foram acusados de desviar, não voltou aos cofres públicos, e ninguém sabe que fim levou o processo.

 

 

Em 2005 eu fui contratado para trabalhar na Rede Sul Bahia de Comunicação e ter Uldurico Pinto como patrão. Eu não entendia porque a gente era proibido de tocar no assunto: dinheiro e polícia. Quando, por telefone, falávamos com Uldurico Pinto, este usava alcunhas como Lula, FHC e por ai vai.

Depois entendi que era em razão do escândalo de Porto Seguro.

Nunca comentei este assunto pessoalmente com ele, pois quem ousava tocar era reprimido e até demitido.

A ida de Sergio Moro, ex-juiz federal ao Ministério da Justiça, pode causar uma dor de cabeça a Uldurico Pinto e Ubaldino Junior. O futuro ministro da Justiça ficou conhecido por bravamente combater a corrupção na Operação Lava Jato e já deixou claro que só deixou de ser juiz federal para combater o crime organizado e corrupção no Ministério da Justiça.

O desarquivamento desta investigação pode ser inclusive benéfica para a Família Pinto. Esta poderá ter a alma lavada se provada a inocência de Uldurico Pinto e Ubaldino Junior, mas pode também lavar a alma da população de Porto Seguro e dos políticos do Extremo Sul, que vivem sendo acusados de corrupção por ambos, porém nunca viram o fim do maior escândalo de corrupção da história da região.

Uldurico Pinto tem algumas alternativas para se livrar de uma possível investigação sobre isso; uma delas é usar o mandato do filho como moeda de troca em apoio a Bolsonaro para que o processo não seja desarquivado, a outra é convencer Sérgio Moro para deixar quieto.

O maior problema é que: Bolsonaro diz que não aceita barganha, e Sergio Moro diz que não negocia com corruptos.


Jotta Mendes é radialista e repórter

Edição Bell Kojima/Repórter Coragem

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