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O desabafo de Jóris Xavier sobre a morte de seu pai Gel Lopes

09/03/2015 - 11h58
Coluna Pensando com Coragem

Amigo, estamos de volta em mais uma semana, essa que foi a mais tensa da política brasileira nos últimos tempos. Afinal, nessa semana conhecemos de fato a lista dos envolvidos no escândalo do roubo a Petrobras que foram denunciados na operação “Lava Jato”. Entre eles sua excelência o vice-governador da Bahia, João Leão, e o conselheiro do TCM Mário Negromonte. Ambos do PP (Partido Progressista) que deveria ser Partido da Propina.

Mas sobre isso eu comento no final da coluna.

Essa semana, para ser mais exato na sexta-feira 6 de março, o extremo sul tomou conhecimento do desabafo do jornalista Jóris Bento Xavier, filho do jornalista Gel Lopes, sobre a morte do pai. Jóris aguentou calado mais de um ano a morte de seu pai, na sexta-feira acabou desabafando e levando o extremo sul as lágrimas.

O primeiro desabafo de Jóris teria sido numa matéria divulgada no seu site, o Portaln3. A qual foi reproduzida por diversos sites; entre eles o Repórter Coragem.  Depois ele participou do programa de Lucas Bocão, embora eu não tenha ouvido o programa, muitas pessoas me ligaram falando sobre como foi emocionante o seu desabafo.

Na sexta-feira pela manhã, eu troquei um telefonema com Jóris que parecia muito abalado, pois as lembranças da morte do pai, apesar de ter passado um ano, ainda estão muito presente em sua memoria, não é pra menos. Joris e Gel Lopes eram muito mais que pai e filho, eram amigos, estudaram juntos quatro anos na mesma faculdade fazendo o curso de jornalismo.

Não é fácil para ele, na condição de filho, saber que não pode mais contar com seu pai, saber que o amigo das horas difíceis, já não existe mais. Pior ainda receber um telefonema dizendo que seu herói está morto.

Mas o filho de Gel não aguentou a manobra feita pelo estado para ganhar tempo e arquivar, sem o devido esclarecimento, o crime que vitimou o seu pai, ocorrido em 27 de fevereiro, de 2014.  O crime poderia ter sido esclarecido na primeira semana, já passou um ano, nada foi revelado e caminha para um processo longo até seu arquivamento sem punição para os culpados.

A Ascenção do delegado Èlvio Brandão ao posto de chefe no Departamento de Veículos do DETRAN-BA foi como se fosse um tiro contra a honra de Jóris.  Élvio Bradão havia sido designado pelo Departamento de Polícia do Interior para apurar o caso.  Esse é o mesmo delegado que apura o caso do ex-prefeito de Itagimirim, Rielson Lima.

Èlvio Bradão já é o terceiro delegado designado para o caso. No primeiro momento a investigação foi iniciada pelo delegado Kleber Eduardo Gonçalves, titular da delegacia territorial de Teixeira de Freitas. Em seguida, dado a proporção do caso, o delegado coordenador da 8ª Coorpin Marcus Vinícius assumiu o caso, que depois teve um delegado especial designado pelo Depin.

Com a troca de delegado é como se a investigação parasse e tudo tivesse que recomeçar.  Essa é uma estratégia do estado para ganhar tempo quando os crimes são de muita repercussão. Cada delegado investiga de um jeito e o crime termina sem punição a exemplo do caso Mauricio Coutrin, que houve tantos delegados e tantas versões que ninguém sabe qual a versão verdadeira para o crime.

Jóris questionou o porquê da promoção do delegado. Será que o delegado foi promovido por ter descoberto algo de grave e ganhou uma promoção para deixar quieto o que descobriu?

Qual o interesse do estado em está constantemente trocando o delegado que apura o caso?

O rapaz também disse, em seu desabafo, que não pode contar com a imprensa do extremo sul. Segundo ele muitos venderam o silencio no caso por um contrato de migalhas com a prefeitura de Teixeira de Freitas. Agora quem pergunta sou eu, qual o interesse da administração municipal em calar a imprensa sobre a morte de Gel Lopes?

Por acaso a morte de Gel Lopes está ligada a administração municipal?

Por que o coronel Bartolomeu Correia Calheiros, secretário de segurança com cidadania, entregou as imagens do serviço de monitoramento da praça da Bíblia num pen drive muitos dias depois do crime e depois dele ver as imagens?

Porque o coronel tinha que ver as imagens antes de entregar as mesmas à polícia?

Dizem que as imagens que foram entregues foram editadas. Será que isso é verdade?

Quem eles quiseram esconder ao editar as imagens?

A Polícia Civil requisitou todos os HDs que armazenavam as imagens para serem periciados. Qual o resultado da pericia?

Por que toda essa obscuridade nas investigações sobre o caso Gel Lopes?

Quem pode está sendo protegido com a promoção do delegado Élvio Brandão?

O que o delegado Élvio Brandão descobriu sobre o caso?

Quais foram as pessoas que tiveram o pedido de prisão negado no TJBA?

Por que pouco depois da negativa dos mandados de prisão João Bosco foi a secretaria de segurança pública supostamente pedir agilidade na investigação?

Ele pediu agilidade, ou pediu que a investigação parasse?

O que João Bosco foi fazer na delegacia no dia 3 de março de 2014, em plena segunda-feira de carnaval?

Porque os principais membros da cúpula do governo João Bosco estavam reunidos em Guaratiba no dia que Gel Lopes foi assassinado?

Estariam um produzindo álibi para o outro?

Ainda existem mais perguntas que eu gostaria de fazer, mas, vou deixar por aqui. Tenho certeza que serei mais uma vez processado pelo que escrevi.  Continuarei dizendo: melhor ser processado, do que ser morto. Processem – me quantas vezes quiserem, só não façam a mim o que fizeram com Gel Lopes.

Voltando ao tema de maior repercussão da semana afirmo que é uma vergonha para a Bahia ter o seu vice-governador  entre os envolvidos no escândalo da Petrobras. João Leão não tem moral para continuar no posto de vice-governador, assim como Mário Negromonte não tem para continuar como conselheiro do TCM. O Partido Progressista envergonha a Bahia com estes dois homens.

Uma ótima semana a todos.

Jotta Mendes é radialista e repórter


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