Estudo aponta novembro como o mês mais chuvoso e agosto como o mais seco em Teixeira de Freitas

Um estudo científico publicado na Revista Brasileira de Meio Ambiente e Sustentabilidade analisou o comportamento das chuvas em Teixeira de Freitas entre os anos de 1993 e 2023 e revelou importantes informações sobre a distribuição pluviométrica no município. A pesquisa foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e de outras instituições acadêmicas, utilizando dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
De acordo com o levantamento, a média histórica anual de precipitação em Teixeira de Freitas foi de 1.143,89 milímetros. O ano mais chuvoso da série analisada foi 2004, quando foram registrados 1.802,2 milímetros de chuva. Em contrapartida, 2023 apresentou o menor volume pluviométrico, com apenas 444,7 milímetros, o que acende um alerta para possíveis impactos relacionados à disponibilidade hídrica e às mudanças climáticas.
Novembro lidera concentração de chuvas
Os pesquisadores identificaram que novembro e dezembro são os meses mais chuvosos do ano no município. Novembro registrou o maior volume acumulado de precipitação da série histórica, totalizando 4.988,1 milímetros, seguido por dezembro, com 4.293 milímetros.
Além de apresentar o maior volume de chuva, novembro também registrou a maior média mensal de precipitação, com 178,15 milímetros, além do maior Índice de Concentração de Precipitação (ICP), atingindo 2,43. Esse indicador mede o grau de concentração das chuvas em determinado período e demonstra que uma parcela significativa das precipitações anuais ocorre nesse mês.
Já agosto foi identificado como o mês mais seco do calendário climático de Teixeira de Freitas. Durante o período analisado, registrou média de apenas 51,75 milímetros de chuva e o menor ICP da série, com índice de 0,20.
Distribuição das chuvas é considerada equilibrada
Apesar da concentração mais intensa das precipitações nos meses de novembro e dezembro, os pesquisadores concluíram que Teixeira de Freitas apresenta uma distribuição relativamente regular das chuvas ao longo do ano.
O Índice de Concentração de Precipitação total foi de 9,71, valor que, segundo a classificação utilizada no estudo, indica uma distribuição uniforme das chuvas, sem extremos severos de seca ou precipitações concentradas em poucos meses.
Impactos para agricultura e gestão hídrica
Os autores destacam que compreender a dinâmica das chuvas é fundamental para o planejamento urbano, rural e ambiental. As informações podem auxiliar agricultores na definição dos períodos de plantio e colheita, além de orientar políticas públicas voltadas ao manejo dos recursos hídricos.
O estudo ressalta ainda que a ocorrência de meses com elevados volumes de chuva, seguida por períodos mais secos, exige investimentos em sistemas de drenagem, armazenamento de água e estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
Segundo os pesquisadores, a análise da série histórica fornece subsídios importantes para a construção de políticas públicas sustentáveis, contribuindo para minimizar os impactos de eventos extremos, como enchentes e estiagens, e fortalecer a segurança hídrica da população do Extremo Sul da Bahia.
Dados em destaque do estudo:
* Média anual de chuva (1993–2023): 1.143,89 mm
* Ano mais chuvoso: 2004 (1.802,2 mm)
* Ano mais seco: 2023 (444,7 mm)
* Mês mais chuvoso: novembro
* Segundo mês mais chuvoso: dezembro
* Mês mais seco: agosto
* Índice de Concentração de Precipitação (ICP) total: 9,71, indicando distribuição relativamente uniforme das chuvas ao longo do ano.