Caraíva

Um ano após morte de Vitinho, MP denuncia seis policiais por ação em Caraíva

16/07/2026 - 20h50

PORTO SEGURO (BA) – O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou à Justiça, nesta quarta-feira (16), quatro policiais militares e dois policiais civis pelas mortes do guia de turismo Vitor Cerqueira Santos Santana, de 28 anos, e de Davisson Sampaio dos Santos, de 23 anos, conhecido como “Alongado”, durante a Operação Travessia, realizada em 10 de maio de 2025, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro. O órgão também pediu o afastamento cautelar dos seis agentes das funções públicas enquanto tramita a ação penal.

Segundo o MP, os policiais responderão por dois homicídios qualificados, com as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio que resultou perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas e uso de arma de fogo de uso restrito. Os dois policiais civis também foram denunciados por fraude processual. Conforme a investigação, eles teriam alterado artificialmente o cenário após as mortes. O Ministério Público informou que eventual responsabilidade de policiais militares por esse mesmo crime será analisada posteriormente pela Vara de Auditoria Militar.

De acordo com a denúncia, os agentes integravam uma equipe formada por policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core). Conforme o Procedimento Investigatório Criminal (PIC), uma das vítimas foi morta a tiros em via pública, sem possibilidade de reação. A outra, segundo o MP, foi abordada, revistada e, em seguida, baleada. Laudo pericial também apontou lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos disparos.

Para o Ministério Público, as provas reunidas indicam que as mortes ocorreram fora de uma situação concreta de confronto e em um contexto no qual as vítimas estavam em condição de vulnerabilidade diante da atuação dos agentes.

INVESTIGAÇÃO TEVE EXUMAÇÃO DOS CORPOS

As denúncias representam mais um desdobramento da investigação conduzida pelo MP-BA. Durante o procedimento, a Justiça autorizou a exumação dos corpos das duas vítimas para a realização de novos exames periciais.

O corpo de Vitor Cerqueira foi exumado em Itabela, enquanto o de Davisson Sampaio foi retirado do cemitério de Pindorama. Segundo o Ministério Público, as novas perícias buscaram esclarecer a causa das mortes, a dinâmica da operação e possíveis divergências em relação à versão apresentada pelos policiais.

OPERAÇÃO TINHA COMO ALVO FACÇÃO CRIMINOSA

A Operação Travessia foi deflagrada para cumprir mandados de prisão contra integrantes da facção criminosa “Anjos da Morte”, apontada pelas forças de segurança como responsável pelo tráfico de drogas na região de Caraíva.

Entre os mortos estava Davisson Sampaio dos Santos, o “Alongado”, apontado pela polícia como integrante da facção, acusado de diversos crimes e considerado foragido da Justiça.

Já a morte do guia de turismo Vitor Cerqueira motivou a abertura do Procedimento Investigatório Criminal pelo Ministério Público. Familiares, amigos e moradores afirmam que ele não tinha envolvimento com atividades criminosas e sustentam que ele pode ter sido confundido com outro homem conhecido pelo mesmo apelido. Também foram levantadas suspeitas de execução e de agressões durante a abordagem.

A morte do guia provocou protestos em Caraíva e um abaixo-assinado que reuniu milhares de assinaturas pedindo a apuração do caso. Durante a manifestação, moradores defenderam que Vitor era trabalhador, aguardava um grupo de turistas quando foi abordado e poderia ter sido morto por engano.

O QUE DISSE A POLÍCIA MILITAR

Na época da operação, o comandante do Comando de Policiamento da Região Extremo Sul (CPR-ES), coronel Luís Alberto Baqueiro Paraíso Borges, afirmou que a ação ocorreu dentro da legalidade e que, caso fosse constatado algum desvio de conduta, os fatos seriam apurados com rigor.

Segundo o oficial, Vitor estava acompanhado de Davisson Sampaio e atuaria como um dos seguranças do investigado. O comandante afirmou que a corporação possuía elementos que sustentavam essa versão e declarou que o guia teria sacado uma arma durante a abordagem. Ainda conforme o coronel, outro homem que também acompanhava Davisson estava armado, mas não reagiu e acabou preso.

O comandante também declarou que havia tentativas de descredibilizar a atuação das forças de segurança para provocar um recuo das operações policiais na região e reforçou que a corporação continuaria cumprindo os mandados judiciais.

Fonte: Radarnews


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