Policial

“A fila não pode ser sentença”: jovem de 23 anos morre após quase 6 meses de internação e espera por transferência em Teixeira de Freitas

01/09/2026 - 22h16

Teixeira de Freitas: Uma espera marcada por angústia, pedidos de socorro e esperança terminou em luto na tarde desta segunda-feira, 31 de agosto. Kassandra Berto Matos Souza, de apenas 23 anos, morreu no Hospital Estadual Costa das Baleias (HECB), em Teixeira de Freitas, após uma queda de moto e quase seis meses de internação.

A internação e a batalha pela vida

Kassandra estava internada havia quase seis meses. Inicialmente, passou pelo Hospital Municipal de Teixeira de Freitas e posteriormente foi transferida para o HECB. Durante esse período, a família travou uma verdadeira batalha pela vida da jovem.

Em um vídeo divulgado em busca de ajuda, o irmão de Kassandra fez um apelo desesperado e relatou a gravidade da situação. Segundo ele, a jovem apresentava problemas nas veias hepáticas, com obstruções que estariam provocando acúmulo de líquido e comprometendo seu organismo, deixando o fígado cada vez mais debilitado.

A espera por uma transferência

Ainda conforme relato dos familiares, chegou um momento em que os médicos relataram que a capacidade de tratamento disponível no HECB já não seria suficiente diante da complexidade do quadro clínico. A esperança, então, passou a estar em uma transferência para um hospital especializado. Mas o tempo passou, e a transferência esperada pela família não aconteceu a tempo.

Acompanhamento da reportagem

Na manhã e na tarde desta segunda-feira (31), a equipe do Liberdade News esteve no hospital acompanhando a família e a situação. Familiares relataram à nossa reportagem que Kassandra possivelmente havia sido entubada diante do agravamento de seu estado de saúde.

Diante da gravidade das informações, nossa equipe procurou a direção da unidade hospitalar e manteve contato com a assessoria de comunicação do Instituto Fernando Filgueiras (IFF), responsável pela gestão do hospital. A informação repassada à reportagem foi de que a instituição estava buscando informações sobre o caso.

A confirmação do óbito

Por volta das 17h50, quando a equipe do Liberdade News ainda estava na unidade, veio a notícia que ninguém queria receber: Kassandra Berto Matos Souza havia morrido. Nossa reportagem acompanhou de perto a dor, o desespero e o sofrimento dos familiares e amigos após a confirmação do óbito.

Perguntas que precisam ser respondidas

A morte de uma jovem de apenas 23 anos, depois de meses de internação e de apelos públicos por atendimento especializado, exige respostas:

· Por que Kassandra não conseguiu ser transferida para uma unidade com capacidade para realizar o tratamento especializado de que necessitava?

· Quando a solicitação de transferência foi inserida no sistema de regulação?

· Qual era a classificação de prioridade da paciente?

· Para quais unidades o pedido foi encaminhado?

· Houve negativa por falta de vaga?

· Durante quanto tempo Kassandra permaneceu efetivamente aguardando essa transferência?

Responsabilidades e transparência

São perguntas que o Governo do Estado da Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), a Central Estadual de Regulação e a administração do HECB precisam esclarecer publicamente.

A responsabilidade específica pelo desfecho deve ser apurada a partir dos prontuários, registros da regulação e demais documentos médicos. Mas uma realidade é incontestável: uma família pediu socorro, uma jovem precisava de atendimento especializado e a transferência não chegou antes de sua morte.

Uma reflexão necessária

É mais um episódio que coloca sob questionamento a eficiência da regulação e a capacidade da rede pública de garantir, no tempo necessário, acesso a tratamentos de maior complexidade. Para quem está do lado de fora, regulação pode parecer apenas uma palavra administrativa. Para uma família com alguém gravemente enfermo, significa contar cada hora esperando que um telefone toque e anuncie que finalmente apareceu uma vaga.

No caso de Kassandra, essa espera terminou da pior maneira possível. A fila não pode se transformar em sentença. Não é aceitável naturalizar famílias implorando publicamente por transferências enquanto seus parentes lutam pela vida dentro de hospitais. Também não é suficiente que, depois de uma morte, o caso seja tratado apenas como mais um número nas estatísticas da saúde pública.

Se houve demora, falha, omissão ou qualquer deficiência no processo de transferência de Kassandra, isso precisa ser identificado e devidamente responsabilizado pelos órgãos competentes.

Solidariedade

Kassandra tinha 23 anos. Tinha uma família. Tinha amigos. Tinha uma vida pela frente. Nesta segunda-feira, o corredor de um hospital testemunhou mais uma família destruída pela perda de alguém que amava enquanto aguardava uma solução da rede pública de saúde.

O Liberdade News acompanhou de perto essa dor e continuará buscando respostas sobre o que ocorreu durante o período de internação, quais providências foram adotadas para a transferência e por que o atendimento especializado não chegou a tempo.

O espaço permanece aberto para manifestação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, do Governo do Estado e do Instituto Fernando Filgueiras. Eventuais esclarecimentos oficiais serão acrescentados à matéria.

O Liberdade News manifesta profundo pesar pela morte de Kassandra Berto Matos Souza e se solidariza com seus familiares e amigos neste momento de imensa dor.

Por: Rafael Vedra/LiberdadeNews


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